17 fevereiro, 2008













Chove muito, e faz frio cá deste lado.

E vejo-me em revoltas para obedecer a um coração que tem as cores completas em agonia.

Não há palavra que salve a imagem que fica do abraço bom na estação da partida, nem alma que supere o espancamento de letra e maldições dos versos que largaste, da luz que me deixou e do último abraço que me adornou.

Já não trocamos bilhete no embarque, nem revistas na viagem, nem bocas que queriam o meio-dia-em-ponto.

Somos inocentes quando amamos.
E também quando traímos a memória, o desejo e a vontade de saltar a fogueira que nos arde as entranhas.

Pede-me para dançar, e rodopia comigo num copo de caipirinha gelada, enquanto o coração procura o alívio de dias azuis escurecidos.

Ainda tenho o fôlego dos mortos vivos.

Da idade que não abranda numa curva mal calculada na auto-estrada da vida, e do gesto que diz que amo e amo todas as palavras ditas e reditas e enroladas em mantas que me cobrem do frio enquanto te sonho quimera.

Pede-me para dançar e liberta-me desta prisão, grilhões do tempo, lugares e prenúncio de tempos que não sei se vejo, dividido em mil prestações a longo prazo.

Estou cansado como tu, fatigada de mil dias sem dormir e inenarraveis prosas de milhares caracteres.
E do tempo não te falo pela distância e ausência entre nós, tempo entrecortado por imagens vulgares.

Pede-me para dançar e nem que seja por cinquenta segundos tira-me desta vida e transporta-me nos teus passos em ondulantes sensações inebriado no teu perfume.

Como será o contorno da tua boca?

E esse verbo latente que me arrepia a pele sempre que te penso, e os lábios que desejo e os dentes que me brilham no olhar enquanto permaneço sonhador.

Vidas. Sete-vidas–tem-o-gato que te enlaça.
E eu um livro de amor recheado com chave para quem conseguir decifrar os códigos: páginas criptografadas.

3 comentários:

olhos grandes disse...

o contorno da boca dela será igual ao teu, se a beijares quando ela te pedir para dançar. dentes brancos teus e dela, no mesmo copo gelado.

Paula disse...

Porque não lhe pedes tu para dançar? Porque ficas à espera que ela te peça!?

av disse...

És tu que fazes dançar as palavras, mudando o ritmo, quando te apetece, do tango à valsa, do quick step à rumba.
Gostei do baile.