Desato os nós dentro de mim, como se fosse desatando as dores, uma a uma.
Vou arrancando os fios, descortinando os sonhos, repaginando os dias com sede de sobrevivência, ciclos que não fecharam e outros fechados pelos fios... os fios tecidos na tensão dos dias e das esperas.

A noite chega apressada, e eu, escrevo num papel brilhante, escritos de duvidas, em risos que não dei, lágrimas perdidas em beijos adoçicados de linguas transversas.

Teu coração conhece os detalhes do meu corpo e quando em contra-luz te conduzo pelas minhas mãos, abro caminhos que anseias conhecer e lanças um verbo latente que me arrepia a pele, e um olhar doce que me chega de mansinho como uma onda gigante... silencioso e devastador.

Sinto-te ancorada no meu corpo, com sete vidas, sete toques, sete cores, de sete beijos em sete aconchegos matinais, como navegador numa Nau de Descobertas.

Enfeitiças como poção mágica, num olhar inebriante e um sorriso que me aquece.
Já te senti em partidas, caravela do meu vento, fios de lágrimas salgadas, levados na corrente das ambiguidades.

Já te senti num aceno de mãos que desatam os nós em corpos blindados de morango, mãos que tocaram no fuso do meu tempo, antes que a chuva me desfaça os passos.

Meu nome é diário antigo, pouco interessante, como fotografias recortadas, papel de bombom, beijo de baton, com laços vermelhos de prazer.

Fazias equilibrio em intenções de Faquir, contracenando numa plateia de desejos, em piruetas mortais no meio de palhaços, agitando verves na boca do leão, enquanto me largas no circo da vida.

Quanto mais me espetas em lanças destemidas, mais te desejo... e mais ensaio frases repetidas, mãos em fogo nos teus seios, intimidades bordadas a dois.

Comentários

Paula disse…
"Quanto mais me espetas em lanças destemidas, mais te desejo..."

Adoro esta frase!
Antonia disse…
Lindo...muito lindo...
Misty disse…
Francamente bonito!

Cumprimentos,

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