11 fevereiro, 2008













Vivo fragmentado em estilhaços de imagens sem sentido,umas que vão, outras que chegam, aquelas que nunca me abandonam e aqueloutras que raios-partam quero que desapareçam.

Há 4 noites que durmo mal. Dormir por si só, durmo, mas brinco na penumbra do sonho com palavras, imagens, ruídos e rostos indecifráveis.

O horizonte ondulou-se de brisa como um Cristal de Sal.
Chego a olhar através dele mas não vislumbro o fio que teimosamente quero observar.

Procurei seguir a luz do farol como barco perdido, cheiro a sal, impureza da cor ígnea das paixões.

Vou e volto já. Espero chegar rápido, como quero seja rápido encontrar-me nestes escombros em que fiquei.
Liberto-me de ideias, sonhos, quimeras, paixões, desenhos, figuras, socos no estômago, doces na alma e beijos no coração.

Preciso de braços que me aconcheguem.

Que me apertem, que me enrolem, que me enlacem, onde me sinta quente e protegido, como no ventre de uma Mãe.
E num instante, eu próprio solto longos braços de penas que me transportam por espaços desabitados e por si já enlaçam e redobram a atenção sobre um outro, manto protector que me habita.

Procuro verdades em imagens sem sentido.
No voo, no horizonte, no cristal de sal, excertos de filmes repassados.
No inchaço dos meus olhos, da voraz idade que passa sem eu ver.
Espírito jovem e guerreiro, positiva criatura, sem erosões de verdades ou mentiras que me atormentem.

Verdades que podem ser tarefa de uma ou de muitas vidas.

De agora, de outrora, quem sabe?
Verdades de actos concretos ou imaginados, registado em memórias vividas ou recriadas em movimentos de um vai-vem imaginário.

Verdades de cada um que trazem significado ao sentido da vida, mesmo quando esta não tem qualquer sentido.
Verdades subjectivas, que mais não são que paliativos induzidos na memória de cada um.

E eu, fragmentado de luzes que me povoam os sentidos e acendem e apagam na medida exacta do tempo em que vivo.
O nosso tempo.

5 comentários:

RIA disse...

Um beijo cheio de poesia

medeia disse...

Entrei por acaso (pela porta da Syl), curioso sinto-me um bocadinho assim.
Agora que não há gato a miar, fica um até sempre.
(Vanda)

Acordomar disse...

Muito transparente o que escreves, gostei, e esse peixe azul nesse magico aquário...visão??

aparece no Chocolate ;)

Beijocas*

Acordomar disse...

Pedro, o convite está em destaque, na marginal do meu blog;))
Beijinhos e aparece no Chocolate;*

Antonia disse...

lendo vc vi minhas verdades desfilarem uma a uma... e percebi que consigo estar feliz, apesar delas.
Abraço
Antonia