25 abril, 2008

Carta de despedida...














Já sequei lágrimas e gestos incontidos de raiva num alcance sem retorno.

Já tentei pegar numa arma e lutar a teu lado, mas o peso dela para ti é maior que o amor que tens por mim

Sei que a guerra e a distância entorpecem e endoidecem, quem lá está e quem por cá fica.

O tempo por agora é brando mas não tarda chega o sol e as risadas dos pássaros que voam em meu redor.

Sinto-me como um doente a quem todos querem disfarçar a verdade, e disfarço quando perguntam por ti.

O espelho que me traz os dias traz caretas a meu favor.

Gostava de provar mais de ti, que de tão pouco até pelos pulsos me entras.

Tenho raízes no sangue por controlar e cores que há muito não se iluminam, portas que nem eu sei da chave e janelas com correntes de ar que me assombram o peito.

Tenho um casaco com um bolso grande do lado do coração que já não me cabe, pois estava repleto de ti.

Fico inquieta por te saber assim e cerrarei os olhos para definitivamente não te ver.

A infância há muito me fechou os sonhos e sinto o pânico nas palavras que te leio.

Tens pensado em ti, porventura…

E em mim…

...já pensaste?

1 comentário:

antonia disse...

"Casaco com um bolso grande do lado do coração...que fazer para retirar as lembranças quando elas
permanecem até nos nossos sonhos?
Amigo JP, se sabes a resposta, por favor, ensina-me.

Ah, tuas cartas são lindas...todas elas!

abraços