26 abril, 2008

Outros tempos...

Eram tempos sem tempo, em que aldeias pintadas de branco com sinos a rebate anunciavam a chegada do Senhor Doutor.

O médico, cura e político, amante de Deus e adorador do Diabo, com mezinhas e opiniões, senhor de terras e vinhedos.

O Padre, mestre de almas e defensor de tentáculos pecaminosos, sobrinho de várias Tias, habituais solteiras e desencontradas por si e em si.

O professor dedicado e mestre das artes e dos ofícios com régua aprumada e cana em riste num apontamento sistemático de rios e afluentes, montanhas e distritos, caminhos-de-ferro e adjacentes.

Separavam-se os sexos como quem giza planos de futuro, masculinamente apropriados.

Falávamos baixo e pouco, pois as paredes “tinham ouvidos” e enclausuravam por períodos, alguns mais afoitos.

Os três "F´s" (Futebol, Fátima e Fado), entretinham as gentes que desbravaram horizontes nas hertzianas da BBC.

Senhorinhas de largos folhos e améns ao Presidente do Conselho mais a sua “entourage”.

Um livro de quarta classe com o menino da mocidade portuguesa de calção e bivaque, como mandam as regras doutrinais.

Homens tombavam numa cruenta guerra colonial, que se arrastava semeando mortes, infrutífera e sem sentido, enquanto outros cruzavam as portas de Caxias ou Peniche.

O Império que emergia povoado por colonizadores, onde por um lado se guerreava e por outro se espraiava nos coqueiros, ou nas avenidas de mar azul e espaços verdejantes.

A cerveja Cuca escorria em gargantas festivas, enquanto por cá o Deus-Pátria-Família vingava em eleições já determinadas.

Num instante para o 25 do 4, com equipamentos de cravos desfraldados e pétalas adormecidas por encantos e paixões.

Numa corrida voraz passaram 34 e marcamos a contratempo um compasso madrigal numa canção do Adeus.

1 comentário:

antonia disse...

Teu blog é uma terapia.
E uma viagem...
bjs