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A mostrar mensagens de Maio, 2008

NO INTERIOR DO MEU INTERIOR

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Gosto de te ter aqui por dentro
Remexendo pelas veias, tocando na pele e entoando acordes por mim.

Gosto quando me procuras pelo cheiro, me encontras pelo cheiro
e me queres pelo cheiro.

Gosto quando sinto que te sinto

Gosto quando o teu tempo tem o meu tempo, o teu sol os meus raios a tua
chuva as minhas gotas, e a tua nuvem o meu cinzento.

Gosto quando tens segundos nas minhas horas e tardes nas minhas noites.

Gosto do teu vagar na minha pressa a minha escova no teu cabelo e o meu gel no teu corpo.

Gosto do cheiro do teu perfume na curva do meu pescoço e do brilho do teu olhar no branco dos meus dentes.

Gosto da eternidade em cada sorriso que me lanças e da peça que procuro no puzzle que é teu

Gosto quando semeias palavras e nascem frases inebriantes

Gosto quando me procuras porque me queres e me queres porque me procuras

Gosto de te ter aqui por dentro, entre canais e conjugações,
e do amor que imagino na rapidez do teu olhar.
Quero levar-te a paragens longínquas, perto de tudo e de nada.
Onde o nada não esteja, nem que tudo aconteça.

Preciso ter-te em mim, sempre pronta no meu pensamento,
Mesmo na angústia e tormento

e em porções de pedaços de ti
por cada pedaço de mim.

Quero ter-te sem que saibas, mesmo após o raiar ou durante o crepúsculo,
por baixo da macieira no lugar do sol,
encostado à sombra, à beirinha do mar.

Quero ter-te sem que saibas, mesmo agora, ontem e durante,
em interlúdios musicais de fato curto ou completo,
num passo decerto imperfeito, como eu.

Quero ter-te comigo ou perante mim
Por um segundo ou manhã,
tarde ou raiar da aurora,
em noites longas cobertas de sal do suor que emanamos,
como o amor que sobressai num relance de olhar
e martiriza como a nau das descobertas.

Quero levar-te a paragens longínquas… em mim, como eu em ti,
Uno e indivisível, de cheiros e gosto e amor aos molhos
Numa dança inventada a dois, em rodopios inebriantes
como loucos numa noite só.
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Sento-me em lugares vazios e isolados, ausente do mundo.

Entristeço em prolongadas mágoas, revoltas interiores que não posso delegar.

-…” olhe faz favor, … psst,,,pssst… importa-se de ficar aqui com esta mágoa e esta revolta, que vou ali e já venho?”…

Ultrapassei o prazo de validade na paciência.

Não assimilo letras mortas, já só vejo cores e versos rimados. Gosto de abraçar lágrimas e apertar sorrisos contra o peito.

E este sou eu, ausente de mim, a verter letras em cadernos sem pauta em partituras de música escondida.

Eu que, eternamente espero. E que na espera, padecendo, empalideço num tempo longo sem regresso.

E suspiro, definindo contornos dos olhos que me lêem na alma e sugam o sangue na carótida direita após o abraço leve no pescoço.

E vais nutrida de mim, em corpo e alma, que não coração.

Inventas eufemismos e gestos, matando-me nas lâminas dos dias que correm, queimando-me na fogueira dos medos.
Já estou cansado de lutas e os sulcos na pele como que esculpido na madeira do tempo…
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O barco no ancoradouro batido por marés, espumando sem nexo.

Partir era um segredo guardado entre vinhedos e árvores floridas como suave a tua voz.

Olhava-te e recolhia imagens, contos, histórias, marcas sem tempo e o tempo de te olhar de novo.

Vivíamos sufocados pelas margens deste rio que nos abraçava e afagava quando nos amávamos, pé dentro dele e corpo boiando um sobre o outro, num misto de dança e navegação.

Caminhávamos nessa margem faz tempo, dias secos e o teu cheiro a flores de magnólia.

Digerias mal este mundo sem rosto nem culpa. Falsas almas, um agrado permanente aos outros que não a nós. Peles vestidas de outros que não a nossa, ideias perfeitas para outros que não as nossas.

Vivíamos a vacilar entre o ser e a razão, entre o ter e a paixão, dentro de muros, falsos como judas, e tu, banhada pelo rio que nos beija o final de tarde, com cores de Minho verdejante e foguetório que embaraça barcaças presas a amarras de vida.

Perco-me no colorido das tuas palavras e resgatas paixão na…