19 maio, 2008




Quero levar-te a paragens longínquas, perto de tudo e de nada.
Onde o nada não esteja, nem que tudo aconteça.

Preciso ter-te em mim, sempre pronta no meu pensamento,
Mesmo na angústia e tormento

e em porções de pedaços de ti
por cada pedaço de mim.

Quero ter-te sem que saibas, mesmo após o raiar ou durante o crepúsculo,
por baixo da macieira no lugar do sol,
encostado à sombra, à beirinha do mar.

Quero ter-te sem que saibas, mesmo agora, ontem e durante,
em interlúdios musicais de fato curto ou completo,
num passo decerto imperfeito, como eu.

Quero ter-te comigo ou perante mim
Por um segundo ou manhã,
tarde ou raiar da aurora,
em noites longas cobertas de sal do suor que emanamos,
como o amor que sobressai num relance de olhar
e martiriza como a nau das descobertas.

Quero levar-te a paragens longínquas… em mim, como eu em ti,
Uno e indivisível, de cheiros e gosto e amor aos molhos
Numa dança inventada a dois, em rodopios inebriantes
como loucos numa noite só.

1 comentário:

antonia disse...

José
Neste post vc descreve com perfeição o "querer" que passamos a vida tendo, sem coragem de demonstar.
Parabéns.
Obs: a estupidez não me impede de apreciar o belo, graças a Deus.