30 novembro, 2008

MEUS FANTASMAS DANÇARINOS





Já imaginei separar a raiz em dois.
Já tentei com a mais forte espada cortar tudo pelo caule.

O que nos surpreende negativamente a cada dia que passa por cada hora que vivemos.
Autênticos fantasmas dançarinos que nos envolvem com seus encantos.

Tenho alguma dificuldade em descodificar o tempo, tenho ausências de mim neste ruído que me povoa, como quando me liam pequenos contos de encantar, em que seres se movimentam em focos de luz intensa.

E na minha memória… o que deixo fugir, por este longe e aquele perto.

Uma alma que dança ao som de ritmos suaves, ritmos que se calam quando o meu respirar povoa espaços.
Por vezes sinto o eco das minhas palavras sós.
Uma sonoridade estranha que me entontece e que me faz percorrer calmamente o interior na busca de um sentido.
Um ponto de partida, um ponto de chegada e encruzilhadas enormes, curvas apertadas, rectas infindáveis e rotundas, muitas rotundas.

Esburaco sentimentos para encontrar o equilíbrio em mim.
Um puzzle confuso.
Mente, alma, coração, pele e corpo, ao mesmo tempo assustador de emoções e afectos.
São pianos tocados com teclas gastas de um tempo voraz e acordes em notas de sofrimento.
Como trovoadas, bátegas de chuva que caem incessantemente e que gosto de ouvir umas vezes sim, outras não.

E não me revejo em filmes feitos por medida, num marear sem ondulação nem porto de abrigo, indiferente à brisa que me rouba e leva longe a essência dos dias.

Na procura incessante da extensão palpável de carícias, ternuras e afectos que deveriam embalar os meus dias, todos os dias.

1 comentário:

Nani disse...

Escreves bem ... até parece que é mesmo sentido! :P