29 dezembro, 2008



















Hoje da minha janela vejo a cidade, o rio colorido com embarcações desassossegadas,
o vinte sete que já não passa, um corredor de bicicletas, e o cambalear dos bêbedos.

Do jardim, vejo o abraçar do fim do dia e de mãos dadas com a noite abraço a madrugada.
Ainda canta a música atrás de mim e o cheiro das rosas que espreitam por entre o relvado que se espraia pela casa.

A ponte engalanada pelo fim de ano na espera do fogo de artificio que se lança em beijos e esboços de corpos, arrastados pelo tudo… ou pelo nada.

Ao cair da noite, o sopro de paixão e a brisa que se apaga num sopro... como a paixão.

Hoje na cidade abandonada de dias envoltos em nuvens de pó, sombrias, conheço as viagens do silêncio. Viagens de circum-navegação por ti, dias a fio, noites infinitas.
E fico ancorado em mim enquanto o teu corpo desce ao cais do desejo.

E de novo a cidade que respira em céu aberto com luz difusa, como silêncios.
Os meus silêncios, vazios, abismos absurdos.

E leio junto à lareira. Um pomar pela vidraça, o apito do comboio na encruzilhada em que se move. Duas linhas, uma, troca de linha, estação, apeadeiro, destino.

O nosso destino no apito de um comboio. A partida e a chegada.
A música que canta atrás de mim, e o cheiro das flores a envolver um abraço na madrugada, enquanto corpos se enlaçam, enredados.

3 comentários:

tcl disse...

gostei deste. bom ano novo para ti!
:-)

JS disse...

Muito bonito.

Um bom ano!

antonia disse...

Lindo, sempre...
Bjs