O bilhete














Escrevi-te um bilhete. O ultimo.
Tenho dentro do meu peito um cenário de guerra.
Angustia, inquietação, saudade, medo, ansiedade.
Bulldozers e empilhadoras arrasam-me o bafiento sentido das minhas veias escavadas pelo sangue que gelou na altura da partida.
O ultimo bilhete.

Atravessei campos de batalha, escalei grades nos cenários mais recônditos,
formulei desejos de vingança, apostei cara contra coroa, perdi e ganhei, voltei a perder.
Sufoquei.
Arrastei-me por veredas e caminhos sinuosos, num interior desfeito de amargura, sem luz nem direcção.
O ultimo bilhete.

Sem comiseração, sem drama nem angustia, qual quimera, sem jeito nem despeito nem dor.
A lança que trespassou o medo, a boca do leão no rugido final.
O ultimo bilhete como recado, estalo denso e grotesco.
Aquele que te lançou no panteão negro dos caídos.

Comentários

Nani disse…
Tão definitivo ...

Mensagens populares deste blogue

DESORDENADA VIDA

OS ANJOS NÃO TÊM COSTAS...!

QUE TE DIZEM OS OLHOS