27 janeiro, 2009















Talvez queiras conversar ou saber que tempo vai fazer-me por dentro.

Sobre o temporal que nos tem desabado corpo e alma. Chuva miudinha que nos atrapalha o olhar e arrefece o coração.

Já não temos tempo como o tempo que havia.
Já não desfolhamos olhares nem desbotamos coloridos em roupa branca salgada de nós.

Não sei o que dizer e até estou com medo de devorar o saco dos sonhos de uma só vez.
Tenho raízes que há muito não se iluminam, e vivo neste "lusco-fusco" entediante como esta chuva que me ofende as entranhas.

Precisava de uma boca que me segredasse coisas que preciso de ouvir. Que me afastasse este pensamento do tempo enevoado e cinzento, que não me deixa espairecer, e libertar amarras, como barcos ancorados no Douro.

Preciso dessa audácia que me incita numa coragem definitiva.

Para te ter perto da boca e perto de mim.
Como pensamentos enrolados no principio e descarados triunfantes no fim.

Como a Lua que afasta as sombras e nos desperta um novo dia.
Como mãos que acariciam os sentidos e noites que findam num arremesso de corpos.

Talvez queiras conversar ou saber que tempo vai fazer-me por dentro.

3 comentários:

XS disse...

Espero que esteja um tempo ameno, sinceramente....

Sofia disse...

Uma prenda para ti aqui:

http://osdesabafosdasofia.blogspot.com/2009/01/e-oficial-estou-adorar-os-selos-parte.html

Bjocas

antonia disse...

Ah JP
Estou voltando das férias e encontro esta pérola: "Preciso dessa audácia que me incita numa coragem definitiva"... só vc para conseguir dizer o que preciso ouvir, no exato instante da necessidade. Obrigada amigo, mil vezes obrigada.
Abraço enorme!