16 janeiro, 2009
















Tem havido chuvas e frio que se reflectem nas nossas angústias e ansiedades.
Coisa pouca dirias tu.
No entanto foi por isso que te resguardei neste canto, onde vimos as aves fugirem na sua migração periódica.
E foi num vórtice de ternura que restituímos os prazeres da madrugada.
A música que nos embalava como recompensa tardia, enquanto o desejo corria pelos teus lábios como nuvens quentes de algodão.

Era esse o nosso manto de memória. Nuvens.

Como se não houvesse amanhã, nem a esperança raiasse num sol dengoso espraiado.
E era no voo das aves migratórias, nesse bater de asas como abraços que nos perdíamos em irresistíveis impulsos madrigais.
Demorávamos o tempo da redenção, até germinar um sorriso pela enésima vez.
Desvendamos segredos guardados num mundo só nosso e despojados do tempo, ficamos despidos de ternura, dançando e rodopiando por entre e sobre nós.

Foi deste Inverno que nos fizemos cor e alegria, descalços em nuvens de algodão doce que afagávamos como nossa, ouvindo bátegas de chuva - que se ria lá fora - enquanto deitados, passeávamos o silêncio pelas mãos.

3 comentários:

Cocas disse...

Muito lindo!!!
Beijinho

Cocas

Alda disse...

Lindo! Gosto muito de te ler!

Zé, tomei a liberdade de copiar o teu post dedicado às amigas do peito e coloquei no meu! Fiquei mesmo emocinada!
Mais uma vez Obrigado!!!
Beijinhos

Miguel Barroso disse...

Bem escrito. Gostei.


Abraços d´ASSIMETRIA DO PERFEITO