17 fevereiro, 2009

POSSO LEVAR OS FANTASMAS QUE ANDO A TENTAR MATAR ?










Vou procurá-los um a um e eliminá-los de vez.
Povoam a imaginação, quando o cansaço se torna pesado e uma angustia se apodera de mim.
Tenho o mundo em roda e um forte expirar de prazo, que não consigo dominar na voragem do tempo.
Por vezes apetece-me parar. Aqui mesmo, assim, sossegado, numa quietude que sufoca.

E são vontades que me mordem o pensamento e amordaçam língua, para não permitir despejar tudo o que sinto,
Não quero guilhotinas fulminantes, nem fios condutores que me puxam para o sentir.

Sinto-me confinado a um espaço pequeno e escuro, sem instante nem agora, apenas reticências.
E piso o caminho entre duas setas que se unem num confinar de grandeza entre o certo e o errado entre o vir e o provir.
Destruo castelos de areia amontoados como cacos velhos numa avalanche de experiencias suaves mas poderosas.

E voltam eles assobiando letras aos ouvidos e abanando com músicas vertiginosas.
Tenho paredes na alma e quadros pendurados num coração alegre, jovial, terno e sereno.

E fujo de falhar restituindo em pedaços os pedaços da alma que me invade o sangue numa queda interminável, amparado pelos fantasmas que me habitam e que tento a custo matar.
Asfixio o pensamento, troco as sílabas, instala-se a cegueira e a tensão que não desce.

Vendavais de sensações que me fustigam e dilaceram a carne enquanto escondo do lado de dentro dos lábios a dor que resiste.

A dúvida não é o apelido que assino, mas a chegada da doença que cavalga aconchegada nestes fantasmas que me atormentam.

Já os acompanhei noutros seres e convivi paredes-meias brincando em jogos de esconde e apanhadas de riso fácil.
Já os sentia caminharem lenta, vagarosamente como batalhões de guerreiros de lança espetada e arcos com flechas pontiagudas na esperança de uma desatenção.

Atrevia-me a chamar-lhe medo, mas não sou feito dessa massa que se esconde atrás de arquitecturas de "Gaudi".

Apenas uma simples fronteira que me separa emoções. Enrolo e desenrolo como novelos de lã em alma fina e coração doce.

Procuro-me e perco-me, e agarro-me a estes fantasmas impiedosos que alargam brechas do lado de lá por cá do muro.

E saltam apegados amigos por entre escombros e ruínas na vã esperança de não deixar quebrar arestas.

Apaga-se o sol e esmorece a luz… aplauso frio…. palco fechado.
Já esvoacei mais um pouco, num bater de asas ancestral, qual alazão de magia neste cosmos imenso.

Posso levar os fantasmas que ando a tentar matar?

1 comentário:

antonia.aprendiz@gmail.com.br disse...


Nossos fantasmas, apesar de assustadores, na maioria das vezes, são amigos. Amigos que vem para nos lembrar o valor das pequenas coisas que acabamos esqueçendo na correria louca desta vida.
Abraços