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A mostrar mensagens de Março, 2009
Lanças ao chão o cobertor imundo e o jornal em que te aconchegas.
Atiras contra a parede o insulto dos demais e entrelaças sacos de plástico aos mil.

Abafas a tosse com café matinal e uma aguardente medronho.

Tens uma só metade tua, a outra já não existe.
Vives a metade pela metade a vida toda.
O lado esquerdo não mexe nem deixas que mexa. Habituaste-te assim.

Vives contra lendas e duendes, contra vida e amargura.
Contra todos e contra ti, sobretudo contra ti.

Danças valsa sem ritmo e saltas ao pé-coxinho quando te dá jeito ou o jeito te dá.

Percorres ruas e vielas, cantos e recantos de uma cidade que vive longe de ti.

Transformas sacos em cama e "arrotas pelintra" após cerveja gelada goela abaixo.

Dizes que dançavas descalço em bailes de varina e lhes adornavas os ombros com xaile colorido.

Fazes da vida canseira e estendes pela madrugada remorsos em concha, como quando espreitas por frinchas, anseios de noiva na cama.

Tens a vida toda para ti e mendigas nas paredes negr…
Gostava de te conduzir numa estrada de terra batida, entre o céu e a terra, entre o campo e o mar, por entre covinhas que definem o teu rosto.

Saborear lábios de cetim em cor de morango rubi, tactear-te língua no teu ouvido, subir à curva do nariz e espraiar-me nos teus olhos.

Iluminas a vida que aqueces com cobertores térmicos e dissolves placas graníticas como um doce qualquer, saboreando colheres do meu café no habitual do teu beijo.

E de repente desfazes-te em nevoeiro agreste, até qualquer dia, como os “pirolitos” de gasosa que bebíamos no cinema Ódeon nas matines de domingo.

Percurso sinuoso este em que me encontro, quando aguardo o cheiro do teu perfume a distâncias exasperadas e corres na direcção oposta ao vento, cravando-me com tenazes, do teu, no meu olhar.
E reapareces de novo, numa qualquer manhã reduzida a farrapos de roupa para me amares num corrupio dançante.

Esgotados os desejos, os delírios da tua boca em risos incontidos entre rugas cansadas, volto-me de novo num encontr…
Se tivesses asas, serias um Anjo, e se soubesses os mistérios do futuro... eras provavelmente um.

E nesses debates internos, coloridos, em que te moves entre escorregadelas de arco-íris, escreves em traços incertos folhas imperfeitas.

Separas-te momentaneamente do mundo terreno levado em gotículas de chuva miudinha que respinga contra o vidro que te separa dele.

Mundos molhados os nossos
Mundos sem asas de Anjo

Clarabóia que deixa ver gotas que caem desconexas, sem medida certa num fio-de-prumo que te orienta num qualquer sentido e te retorna ao lugar de partida.
Esperas o balançar do vento, para veres onde poderás ficar mais segura, neste planeta escondido no meio de vaidades.

Não tens mapa astral agarrado a ti, nem Gps orientador, muito menos partículas de pó de estrelas como seria desejável num Anjo.

Rotas de navegação não conheces e uma pele que não se desfaz ao toque.

Faltam-te as asas de Anjo.

E arrastas contigo, mundos de gente ignorante, insatisfeita, deselegante, rude e descaracterizad…