07 março, 2009

Se tivesses asas, serias um Anjo, e se soubesses os mistérios do futuro... eras provavelmente um.

E nesses debates internos, coloridos, em que te moves entre escorregadelas de arco-íris, escreves em traços incertos folhas imperfeitas.

Separas-te momentaneamente do mundo terreno levado em gotículas de chuva miudinha que respinga contra o vidro que te separa dele.

Mundos molhados os nossos
Mundos sem asas de Anjo

Clarabóia que deixa ver gotas que caem desconexas, sem medida certa num fio-de-prumo que te orienta num qualquer sentido e te retorna ao lugar de partida.
Esperas o balançar do vento, para veres onde poderás ficar mais segura, neste planeta escondido no meio de vaidades.

Não tens mapa astral agarrado a ti, nem Gps orientador, muito menos partículas de pó de estrelas como seria desejável num Anjo.

Rotas de navegação não conheces e uma pele que não se desfaz ao toque.

Faltam-te as asas de Anjo.

E arrastas contigo, mundos de gente ignorante, insatisfeita, deselegante, rude e descaracterizada.

E lutas e lutas e arrastas-te contra tempestades de surdez intelectual.

Mas tapas fendas que se abrem, corres contra ventos e marés, adormeces o inquieto e despertas o que de melhor existe em ti.

Mundos sem asas de Anjo...

6 comentários:

Paula disse...

Bem podia este texto que afinal resulta num poema, ser dedicado a todas as mulheres que lutam pela vida, pela dignidade e que nunca se deixam levar por um mundo em alguns casos desprovido de humanidade.
Neste mundo terreno, é imperativo saber voar... mesmo sem asas! Porque é esse voo que nos mantém vivos!

Atrevo-me ao lê-lo e interiorizá-lo a prestar uma homenagem sentida a todas as mulheres, pela coragem e determinação que empreendem ao longo de toda a sua existência... e que empreendem voos sobre situações limite, saindo vencedoras... (hoje dia da mulher vem a propósito)

Anónimo disse...

SIMPLESMENTE DIVINO E MARAVILHOSO

Cocas disse...

Mais um texto lindíssimo, digno do Dia da Mulher. De facto as mulheres são capazes de amar incondicionalmente, tal como os Anjos. Cantam para os seus filhos, mesmo com vontade de chorar, transformam mágoas em mimos, riem dos próprios medos, choram de felicidade...infelizmente, por vezes, esquecem o seu valor e , aí sim, ficam sem asas.

antonia.aprendiz@gmail.com.br disse...

JP
Obrigada pelo pozinho...pelo Gps e por tapar as fendas da solidão com este texto maravilhoso!
bjs no coração

XS disse...

Mais um texto fantástico, Pedro.
Às vezes nem comento os teus textos porque acho que o que tenho para dizer é sempre o mesmo...
Parabéns, again....

Maresia disse...

Às vezes sem asas também se consegue voar... Gostei!