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A mostrar mensagens de Abril, 2009
Gostava de ti assim,
menina de coro, intocável, perfeita, mesclada de mulher carnal e fatal, feita gata no ronronar do tímpano direito enquanto me percorres as entranhas com suaves arranhadelas esquartejantes.

Gostava de ti assim,
eu borbulhas na cara, a barba que rebenta e tu um sorriso chique e maroto.
Mais maroto que chique.

Eu todo embaraço e tu um pedaço.

Gostava de ti assim,
sem rumo nem norte, em piloto automático, modo quase vegetativo, articulando sons, e eu atirado para um canto, órfão de sentido e de razão.

Uma fímbria de alento e a boca calada de gritos rarefeitos, enrolados, impregnados de
sol e sal.

Gostava de ti assim.
Insegura, discreta, perspicaz, ondulante, saltando da veia cava inferior para o ventrículo esquerdo, mexendo e remexendo, seduzindo-me até os poros se abrirem e o sangue correr como o Douro nas entranhas da Régua, e o pedacinho de mel que goteja na alma e faz buracos num cantinho do coração.

E eu, dedos em nós e os nós dos dedos, que se abrem como garras afiadas n…

Vampirices de alma

Vou gerindo restos de silêncio, adornando-os mais um pouco, porque me sabe bem ficar calado num canto.

Assim como se vivesse a três-quartos em lembranças mudas.
Já dizia o Sr. Américo da tasca quando vendia “quartilhos” de vinho aos fregueses que habitavam o balcão sujo do tinto carrascão.
- “Mais vale calado que galo desafinado”

E vou lendo por dentro de mim, pedaços de imagens que me atropelam os dias.
Gente que vejo, outros que analiso, outros que passam apenas, aqueles do café, os do restaurante, os que se cruzam, os que descruzam.

E muita dessa gente que me habita a mente(os próximos), o coração(próximos e de paixão), o estômago(das preocupações), o fígado e a bílis(os que me irritam) e os do intestino(os que me desesperam).

E aqueles que cambaleiam em caminhadas tortuosas, que te bebem os fluidos e sugam o sangue, roem carne e ossos e laceram meninges.

São cheios de salamaleques e cortesias de enxofre, vivem de hipocrisias bacocas, destilam flatulências de veneno, roubam a almofada do …
Corria desenfreado escada acima após a missa domingueira.

Roupa preparada pela mãe, camisa azul clara e pulôver azul-escuro de riscas fortes. Penteado para o lado e uma poupinha abrilhantada com um toque.

Levava o irmão pela mão e colocava-se estrategicamente por debaixo da arcada do prédio, enquanto o seu amor ia comendo rebuçados e torrões de açúcar à janela.
Sentia-se a tremer, mas sentia-se feliz.

Reparava nela faz tempo na entrada do liceu.
Assim de repente e de relance.
E esse momento era tão breve, tão fugaz, que o coração batia descompassado em formato digital.
Os rebuçados como amor puro de açúcar caíam em debandada na sua direcção e ele cristalizava o seu olhar no dela.

Ela a menina doce, de olhar faiscante.

Hoje já não se comem torrões de açúcar e o tempo não tem memória nem se fazem dias em sucessões geométricas.

Fazem-se mais silêncios, usam-se frases desconexas, é tudo mais virtual e deixamos de fora o espaço dos abraços.

Enchemos o corpo com potássio, envenenando as veias que ma…
Um sorriso enigmático de Gioconda, e eu um Príncipe em conto de fadas.
Contava e encantava histórias de descobertas, partidas e chegadas, umas lidas outras inventadas.
Um encanto em cada canto da boca.

Et por si muove.. (e todavia, move-se), dizia ela num Italiano perfeito, quando nos falava de Galileu Galilei.

Fazia-me sonhar com Mouras encantadas e belos cavalos brancos em conquistas por fazer.
Nos meus verdes anos, salpicava-me a existência de amores-perfeitos, fazendo-me ver o sol no meio de tempestades e nascerem flores em desertos áridos.

O meu parceiro do lado, escrevia bilhetinhos que fazia circular e exasperava a equipa, dividida entre os apelos do coração e o jogo de futebol de cinco que nos apertava a alma.
Acabado o dia, lançava-me na bicicleta de quadro “à corredor” e pedalava pelas ruas em ziguezagues perfeitos, por cavalinhos imperfeitos.

O lanche era sorvido num instante e partia para novas leituras do cavaleiro andante sonhando quimeras e Lancelotes.

Anos mais tarde, já rapaz…