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A mostrar mensagens de Maio, 2009
Um berloque dependurado no gancho das calças,
A urze colorida e pasteis de nata com canela e nas mãos um cheiro a rosmaninho e cerejas que anunciam Maio.

O som salgado invade o espaço e as ondas de calor resultam numa explosão de adrenalina delirante.
Molham-se os pés na água fria da Foz, discutem-se as "gajas" da noite anterior e os "gajos" amaricados que debutam por ali.

Joana, reaprende a distinguir as sete cores do arco-íris, olhando vitrais espalhados na palma da mão, relembrando tempos recentes.

Dias diferentes estes.
Árvores como demónios entrelaçados com a terra e a paz que brota da areia em pegadas de menino.

Por vezes confunde-se, mistura palavras e enrola-se no tempo como a farinha no pão e o café com o leite.
Um tempo que se escapa entre os dedos, como os finos grãos de areia.

Mergulha com a luz da madrugada e traça fronteiras entre os trilhos das aves.
Tanto está como não.
Por vezes encontra-se. Aqui ou ali. Mais ali, evidentemente.

Uma espécie de jogo das esco…
Dá-me mais uma dança.

Apenas uma, a ultima, se assim o entenderes.

Pode ser um tango de passos rápidos, uma valsa ondulante, um slow apreciado.
Uma ultima dança, onde te aproximas bruscamente e olhas provocante, ousada, intensa.

Percorres-me com as mãos, aproximas e afastas repentinamente, estendes os braços num ritmo marcante e rodopias no meu corpo.

Dança esse tango e arrasta-me nesse tornear esfusiante
Sou abraços contigo, pernas que se escapam e sobram no espaço, corpo dormente, quente, como lobo faminto ou coyote com cio.

O teu sopro na minha voz e o grito que me abafa, um encosto.
Três passos apenas. Rodeias o assunto e contornas objectos.

Somos doença crónica, famintos madrugadores, um ataque de asma.
Coração aos solavancos, arfar de cansaço e paixão.

Um T1 pré-fabricado, bem medido, portas e janelas,
Novo aconchego, lábios no pescoço, braços esticados ao infinito.

Peito no peito, batidas largas de coração, o olfacto que se perde, o paladar, os sentidos sem razão, e uma razão sem sentido.

Sinto-te a falta e não te conheço.
Entraste sem bater, percorreste-me a alma e não autorizei.
Conforme entras, sais e não dizes nada.

Fico inquieto, como exilado real a banhos na linha.
Reclamas dos meus gostos, sugeres impossíveis e propões impraticáveis.
Eu com um só nome e tu de bandeira monárquica na pele, sapato italiano e vestido de bom corte.

Percorro lojas de Euro e o telefone velho da sala emite sons descarados, enquanto me alcanças com rubor súbito e te esfregas em mim com pés nus, tornozelos imperfeitos, e brincos de madrepérola.

Entras e sais como frequentas a igreja matriz, benzes-te três vezes, e eu, num eminente cataclismo nuclear, pelos eriçados, sangue que ferve nas veias, a tosse funda do tabaco que me abafa e a voz da minha mãe como licor de palavras.
Rasteiras-me as entranhas e fazes-me em farrapos com nós indecifráveis nos olhos.

Tens Tias do Brasil, casas no Pólo-Norte e comes alcatra.
O verniz que não vai com as unhas, o pé com o chinelo, o relógio do avô, o sangue azu…