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A mostrar mensagens de Julho, 2009

Um adeus e um sorriso

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Porque me dizes adeus ?

Porquê ? Um adeus com um sorriso como se partisses satisfeita?

Esse acenar e um sorriso, o sorriso e um rosto, o rosto e tu, juntos até mais não.

O silêncio longe das vozes. A tua respiração longe de mim e um adeus, um aceno.

O relogio que não para como a vida que não termina.
Apenas nós. Eu e tu.
Como um relogio de parede com a minha vida toda lá dentro. Tic-Tac, tic-tac.

Tu que dás corda e eu que me viro e reviro, em minutos e segundos e horas.
A tua cegueira, a minha surdez, a tua lingua e os meus dentes.

O teu amor e a minha paixão.
A minha roupa sempre azul, e a tua branca imaculada.

O cesto do pão. Três carcaças e um pão-de-deus... valha-me o Santo por ti.

Lenços de aceno. Uns brancos, outros coloridos, uns usados, outros sabe-se lá.

Tal como o teu sorriso que nem eu sei, a tua voz que se foi, a respiração entrecortada por lançamentos de spray para a asma e a tua lingua nos meus dentes.

Porque me dizes adeus ?

Psst, psst...!

Psst, psst…!

Sabem se estou vivo, se isto é tudo real e se ainda não entrei na espiral de loucura, que adivinho breve.... – dizia João Batatim.
Não é fácil viver com alguma sanidade nesta selva.
Aliás só alguns conseguem meter a cabeça de fora do pântano em que se sobrevive.
E esses são os tais…

Estava então...como se chegasse ao fim.
Sentia-se naufrago numa ilha com cacilheiros que desembocam nos lugares em volta.
Os dias misturam-se como nós de marinheiro e pandemias virais.

Faz um cerimonial de palavras desacertadas e procura geometria em frases sem nexo.
Pensa (?) na odisseia dos caminhos que percorreu e outros tantos para percorrer e não se encontra neles. Corre por entre o fio da navalha, o abismo que se aproxima, pelo meio dos carros em contramão e ele próprio em contra-circulo.

Dizia o João Batatim no Júlio de Matos, entre limpezas de vidros cuspidos entre dois dentes falhados,...
- Tenho um lança-chamas que não funciona…! O lança-chamas poluente, que diz trazer às costas e que tudo …

Chiclete de morango

Há coisas que fazem muito mais sentido juntas.
Tom e Jerry, Bucha e Estica, Bugs Bunny e Duffy Duck, tu e eu.
Sozinhos somos como encenação trágica, juntos, um explosivo.

Éramos acordes musicais nos bailes de cave, "slows" na garagem, beijos com sabor a chiclete gorila de morango, musica “tecno” que desafinava nas colunas “marantz”.

Luzes que se apagam em cada mudança de tempo. Tempo que se definia em cada salto da agulha no vinil.

Tempo de espera entre as horas e as desoras na esquina da rua e avenida da vida, entre os travões de um carro e o chamamento da minha avó.

- Pedrinho.... Zé Pedrinho.... ...(Já vou Avó, estou quase a acabar este texto..)
E passava do beijo da chiclete para o abraço chocolate e um encosto de gelado que nos adoçava a alma e refrescava o coração.

Éramos uno e indivisíveis aos olhos da esperança.
Matavas-me com o teu olhar e ressuscitava entre um jogo de bola e fisgas atiradas a pássaros no quintal vizinho.

Rasguei calções e esfolei joelhos, fazia cavalinhos …

A PRETO E BRANCO

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Fotos à “Lá minute”, a preto e branco.
Radiografias de nós.

Chapéu com dois bicos que o protege do sol e um pano preto onde se refugia na busca do melhor retrato

O cavalinho malhado com o menino sentado na garupa. Sorriso traquina e um “muito bem” atirado pela mãe….
"Click-clack".

Puxa o filme, qual raio-x articulado.
Os traços começam a adquirir uma fisionomia familiar, é um preto e branco perfeito. Uma chapa bem tirada.

Vinha com o vestido aos folhos, chapéu de aba larga e uma “pouchette” na mão.
Coloca-se em pose de estrela defronte da câmara pontiaguda e planta rouge, rimel e baton, enquanto as batidas cardíacas perdiam ritmo próprio.

No cimo das escadas, agarrada ao corrimão que engolia o jardim em pedaços, corria desenfreada com os olhos brilhantes, duas bolas de gelado e um cone de bolacha.

Falava com pálpebras semicerradas e mel grudado no céu-da-boca.

O vinho escorria nas pipas, a dez escudos o copo, nas caves do Porto numa Gaia ainda vila, com Rabelos dançantes nas marg…

Por dentro de mim...!

Entraste suavemente como doce melodia e adornaste a minha alma com fragrância de framboesa.

Tens ritmos desenfreados em ti, que tentas libertar na minha direcção.
Refreias o passo, hesitas num “tem-te não caias” incómodo.

Queres-me de qualquer modo e jeito, sem pecado, constante e tenebroso, eficaz e permanente.
Percorres-me de cima a baixo, de fio a pavio, numa procura intensa e inquietante.

Saltas entre espaços e defines-me por entre órgãos que percorres como esquiador em gelo deslizante.
Sentes um marulhar nas ondas do meu corpo e reténs o ímpeto. Há medida que te mexes, o coração galopa ritmos vertiginosos

Basta-te um toque, lábios inquietos, sangue que circula como lava ardente

Ecos que se arrastam por dentro de mim, que procuram um espaço entre o beijo e a partida, no momento em que usas o meu interior como quem aluga a sala próxima.

Insistes em aparecer por entre letras numa dança envolvente e sinto-te por dentro de mim nos silêncios que faço quando o vento não está de maré.

Sabes-me bem…