28 agosto, 2009

Coisas da pele



Afinal foste embora. Esfumaste-te.
Escoaste dos meus braços. Tinhas vindo agarrada a saudades. Fados cantados por Amália, lágrimas que nasciam como ondas.

Saías aos poucos,
Primeiro o braço, depois as pernas, o sorriso.
Tu completa, inteira. Mas o sorriso era absoluto.
O sorriso

Escorrias-me pela pele, pelos poros, um aroma salgado que me entontece.
Um escorregar por ti, por dentro de ti.
Remexer no teu interior e tirar de dentro algumas peças desarrumadas que ancoram por lá.

Coisas agarradas à pele, como os beijos.
Beijos que se dão e se recebem. Beijos na pele, melosos, vertiginosos, repenicados, inquietos, roubados. De língua e lábios. Doces de açúcar mesclado ou de morango.

Afinal foste embora.
Escorreste-me por completo, uma fuga inquieta e demorada com um sorriso rasteiro sem entusiasmo.

Cólera que transportas contigo, por isso saíste de mim. Como se a boca me comesse de um trago e a vida acontecesse.

Espaços na vida, espaços na pele, escorregadelas vitais como surfista gingando nas ondas do teu entusiasmo, mergulhando no aroma, nos lábios, na fuga, no sorriso.
Esfumaste-te na minha boca de um trago.

3 comentários:

DIABINHOSFORA disse...

"Escorrias-me pela pele, pelos poros, um aroma salgado que me entontece.
Um escorregar por ti, por dentro de ti.
Remexer no teu interior e tirar de dentro algumas peças desarrumadas que ancoram por lá.

Coisas agarradas à pele, como os beijos.
Beijos que se dão e se recebem. Beijos na pele, melosos, vertiginosos, repenicados, inquietos, roubados. De língua e lábios. Doces de açúcar mesclado ou de morango."

Se é assim tão bonito, não deixes que se esfume!
Um texto de sonho...parabéns!

Beijos

tcl disse...

este saiu-te bem

Delirius disse...

... e de mim esfumaram-se as palavras!
Que poema lindo.
Colado na tua pele o meu beijo.