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A mostrar mensagens de Novembro, 2009

PALAVRAS RABISCADAS

Queen - Bohemian Rhapsody


Prendes-te com atilhos e laços nos rebordos de mim e não desatas nós, nem por sombras...
Escreves papelinhos coloridos que espalhas pelos meus bolsos e desenhos vários colados com pedaços de baton nos espelhos em que me vejo.

Pintas com tinta da china e pastel, enrolas-te em telas açucaradas e deixas que te prove às colheradas.
Alinhas o teu no meu corpo e defines fronteiras de sabor em lábios sedentos de paixão.

Sorris nervosa a cada pedaço meu por cada pedaço teu e não te cansas quando te conduzes no meu olhar

Congelo memórias de sorrisos timidos na parcimónia quando te deitas em mim... e era eu o teu local de culto, o teu espaço preferido, faça chuva ou faça sol.

Afrouxo-te os impetos que considero desiguais e devoro a distância entre nós.
E todo eu pintor, todo eu arquitecto, todo eu engenheiro, contorno cordilheiras, cobrindo-te de papel cavalinho ou folhas A-4, como anjos disfarçados na neve.

Reconheço-te em sorrisos, discursos fluentes, em paradigmas …

5 revelações

Imagem
A Paula  do "Modos de Olhar" invadiu-me o espaço com o desafio de completar as 5 frases que se seguem...

Eu já tive... a ideia de que andava tudo louco, e ainda não perdi a esperança disso ser verdade... (lol)

Eu nunca... mais alinho nestas coisas... (lol)

Eu sei... que mais vale tarde que nunca, que a verdade vem sempre acima como o azeite, que confio demais nas pessoas e que me gasto em coisas que sei não valerem o esforço.

Eu quero ...ver os meus filhos bem, felizes e com saude, e homens bem formados .

Eu sonho ... com um mundo sem falsidades, sem cinismo, sem guerra e sem fome, e mais tolerante ... (sei que estou a pedir o impossivel... mas quem sabe se forçando...lol )


E... segundo diz, tenho que passar a 10, e estes valem a pena ...!
searas de versos

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Diabinhos fora

De novo Natal

Amy Macdonald - This Is The Life (Buenafuente)


E já me revejo no Natal.
O sapatinho de há quarenta anos no fogão, enquanto o senhor das barbas descia embrulhos vistosos pela boca da chaminé.
Brinquedos com chocolates dentro, como o meu pai adorava fazer.

Esta coisa do Natal outra vez. A data em si.
Eu Capricórnio, o meu pai também, aniversários próximos, o seu desaparecimento e o de minha mãe por esta altura, e a época, mais as luzinhas e os santinhos e os abracinhos e um "feliz natal" despido, prendinhas disto e daquilo, mais embrulhos e lacinhos, mais os que olham de lado rosnando... "festas felizes"...
...uma porra é que é.

E neste tempo, uma cadela com cio, frutos das árvores que apodrecem e os gulosos dos cães em fila.
A cadela vaporosa e saltitante com um corrupio de latidos e amantes ou clientes ou apenas conhecidos, de passagem... que amansam a fera.

E o frio que não chega, a chuva que tarda e um Novembro que adivinha pandemia de gripe e o texto …

Rastos de gente por aí...!

O esqueleto de alguém que anda.
Esse corpo e alguém com ele.
Vou ter de entender isto...

Talvez janelas repletas de fantasmas que vão soltando por aí.
Saem do corpo, deixando-os pendurados – Vão chatear outro...

Permanecem em silêncio no meio dos silêncios. Talvez também fantasmas silenciosos.
Acham estranho… – Vão chatear outro...

Ela tão magra que os dentes lhe sobejam no sorriso, e as sete partidas de Lisboa vistas da ponte, luz e cor, vidas soltas, amarras de amantes em cacilheiros vadios.

Tragam-me serenidade em vez de bife do lombo, serenidade bem passada como o bife.
E a nostalgia das horas aqui e ali.

Rastos de gente entupida de ansíoliticos e anti-depressivos até ao “cocuruto”.
Esta palavra estranha a lembrar-me música bem mexida, solta e fresca, rastos de gente, cadáveres ambulantes a pedirem mais dança, mais corpo, mais amantes amarrados menos soporíferos.

Um cego na procura de sombra, uma luz ténue, um tactear na busca de caminho.
E sei dos teus olhos e do que não vês, …

A minha professora (psora!)

A minha professora primária, com uns braços nus, perna lengosa, apetitosa, peito firme de mulher quente e eu a gaguejar os rios, caminhos de ferro e cordilheiras.
Angola, Moçambique, Guiné, tudo na ponta da língua e o orgulho dela que inchava, e eu pasmado, trocando os afluentes.

As serras e as cercanias e as meias de vidro que ajeitava na barriga da perna, torneava a anca, o lápis que caía e um roçar de mãos na pele e o comboio que entra no rio, Angola que desagua em Espanha e nem uma planície quanto mais uma montanha.

Eu a segurar cotovelo na mesa, mão em concha na cara que repousa e um olhar difuso.
Ali, entre o ontem e o “qualquer-dia”.
Duas filas atrás de mim, o “Zafra” que relincha palavras sem nexo com sotaque acentuado do Porto.

Bandos de pássaros que circulam entre o telhado da escola e o alpendre próximo. Eu que os vejo e oiço do outro lado, vou desvanecendo o pensamento nela.

A minha “Psora” tamborilava os dedos na secretária vazia por trás de uma boca carmesim.
Vincos s…
O teu calor que me coze o frio na barriga.
As copas das árvores e eu a sorver-te num fôlego e tu a escorregar por dentro de mim.
Gosto de te ter assim na minha boca… adocicada.

Existe em mim este semblante de tristeza que se reflecte como “néons” no escuro da vida.

E os teus espasmos em mim, e as minhas mãos enregeladas, curvadas, torcidas e retorcidas, enquanto desces na direcção do esófago.

Engoli-te como seria desejável entre as dez e as onze, para morrermos assim, enquanto te espalhas como ramos secos nas intersecções dos meus órgãos.

E o passado. Excesso de passado em ti, agora que te transportas em mim.

Aquele jeito de Princesa, feita boneca de porcelana com tiques firmes a adornar o cigarro.
Baforadas e gestos largos e sublimes a tocar os lábios depois da fumaça.

E um toque mais. Outro toque, e eu lânguido, absorvido pelos gestos, ensombrado pelo fumo que se ergue.

Lábios carmesins-os teus, e um cigarro

Eu e o teu calor que me coze o frio na barriga.
Eu e tu e um metro quadra…