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A mostrar mensagens de Dezembro, 2009

Tanto ou quase nada...!

Tanto ou quase nada


Quantas vezes escrevo sem te escrever, por outras em que te vejo sem te olhar.
E quantas vezes um abraço um afago e o peito que me estala.
Saber dos meus olhos escuros que se espreitares consegues ler.

Vou desarrumando o passado e despenteando o presente e escrevo porque me apetece implodir, esquartejando o edifício das palavras, as frases e as pontuações, parágrafos imensos.
Caminho nelas inconsciente ou semi-cego.

Ensarilho os meus sentimentos com recordações e visões pessoalissimas das coisas.
Coisas tão minhas, coisas tão próprias. Conduzir, correr, ser abanado pela brisa marítima e sorrir, a adrenalina e a análise das expressões, os gestos e as feições, à laia de quem procura um dente são no labirinto de uma boca.

Os toques nas coisas, as pequenas coisas ou pequenos nadas.
Gosto de te ver e sentir nos pontos cardeais, preenchendo o milímetro quadrado por um quarto de meio metro de lado.
Um final de tarde de cor alaranjado ou arroxeado ou simplesmente um fin…

Um dia, beijo-te a meio de uma frase...!

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Um dia, beijo-te a meio de uma frase...


E é nestas teias de palavras que me solto, que sou mais "eu".

E escrevo nos gestos intimos dos meus sonhos, na alegria que sobra depois de arrastada a dor.

Mudou a hora

Independentemente disso, nada mais mudou. As mesmas caras, as mesmas casas, as luzes dos candeeiros toscos, os riscos do meu carro estacionado cem metros à frente.

A tua sombra pensada por mim inebriando os sentidos.

Um dia, beijo-te a meio de uma frase...

A voz que oiço, a tua voz que me canta, num açoite de memória. Quem diria que apenas uma voz pela calada da noite, tomando formas e gestos de fada.

Mudou a hora e nada mais...

Já passaram quinze minutos desde que comecei e apenas a voz, mais a minha caligrafia paciente de monge copista.

Um carreirinho de carros na direcção da Foz, o "Sétima Vaga" com esplanada aberta e um cenário de luz e cor.

Ris comigo, e eu gosto de "te rir", apesar das amarras que te esventram a casa e escancaram janelas e …

Já me sinto muito grande para este corpo...!

Katie Melua

Já me sinto muito grande para este corpo, ou será a alma que se quer desprender?

Oiço longe o meu grito, e ele chega-me como "boomerang" em ondas aflitas.

Dobro a esquina neste empedrado que me amortece a alma, para fugir dele, mas acabo por o devorar no medo das noites silenciosas, sonhando sombras de rebuçados coloridos.

Baloiças suavemente por dentro de mim, como um brinquedo guardado na imaginação fértil que te povoa.

E é Novembro, e afinal tu não estás aqui.
Mentiste mais uma vez, preferindo mil vezes mais, viver na sombra do que em mim.

Já me sinto muito grande para este corpo e sinto a alma a desprender.

Cicatrizo as feridas abertas lambendo-as até à exaustão. Tenho a vida feita pânico com a tua ausência.
A minha língua forrada de palavras mas a boca adormecida. Eu não falo e tu não brincas baloiçando por dentro do meu corpo jovem que te ampara o desassossego.

Empecilhas-me o tédio e alteras inesperadamente a química do meu organismo, qual medicamento toma…