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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2010

Café sem principio…!

Café sem principio…!

Digamos que achei piada ao termo.
Até gosto de café-pingado, mas não sabia de um “café sem princípio”…

A Avó-velha que me conhecia bem, mesmo despido de palavras.
O meu Avô, típico Almirante, alto, charmoso, voz forte e colocada, altivo e um doce de sorriso nos lábios, uma pessoa de poema completo e não apenas estrofe.
Homem de poesia e de musica. Tamborilava os dedos em permanente ressonância musical que nos embalava. Às vezes, dou por mim nesse tamborilar herdado da natureza.

A vizinha Alice e o marido que coxeava.
Ela perfeitinha dos artelhos, mas como-quem-anda-com-um-coxo-ao-fim-de-três-dias-coxeia, Alice, passados anos, saltava de pé para pé, ziguezagueando.
Tenho para mim que esta atitude era solidariedade num apoio cambaleante entre a paixão que os unia.

A zona onde morava era bem frequentada, pese o “café dos índios” de funcionários com cara de pica-miolos, besuntos trauliteiros e mal formados, vocacionados para almas penadas, cães que ladravam sem car…

Touch Me...!

Ventos que embalam folhas numa brisa, luxúria esquecida no silêncio instalado.
Um corpo translúcido de alma e uma dança sem fim.
Lê e relê todas as cartas, faz parêntesis nos toques que não me deste e nos beijos que pensaste possível.

Escuta as vozes que te gritam encerradas em bocas como masmorras, e embrulha-te na madrugada, sons de trinados repletos de poesia que ecoam em ti.

Arrasta-me o corpo e reparte-me em pedaços.
Conserva o teu olhar discreto, os lábios carmesim e um doce sabor de morango como a elipse da vida.
Sossega a verve na tua exaltação interior, por dias que se subtraem e noites que se prolongam.
Fotografa-me a alma, arquitecta planos infinitos nos corpos que se inquietam e um chá morno no lugar defronte do teu… que era o meu.

Toca-me e não me craves adagas no peito como quem solta um lamento, tormento de palavras cruas, olhares cristalinos, desejos eternizados e forcep´s que afastam feridas por dentro de ti, dos desvarios que a mente sustenta.

Nada disto faz sentid…

Just Like... Heaven

Katie Melua - Just like heaven


Preciso de te sentir, saber que estás por aí, como estás por aqui.

Das tuas mãos que me tocam, o teu cheiro que me embriaga e o teu beijo que me adoça a boca sem mais não.
Preciso deste espaço só meu e dos teus lábios que me percorrem, o teu azul que me invade e o meu escorregar por dentro de ti.

Alguém disse que apenas a pureza dos teus olhos bastará.
Mas eu quero mais, muito mais. Ver-te dentro deles, espreitar labirintos mágicos, fazer desse globo o meu mundo e espraiar-me nos raios vermelhos que te enlaçam.

Talvez venha a ter asas e voarei na imensidão do arco-íris voltando para te ter de novo e os dedos que me envolvem, o beijo que me aquece o corpo, o inebriante perfume, o toque sedoso da pele, as minhas lágrimas cortadas e o teu sorriso que me ajuda a escrever por dentro da alma.

Preciso de voar na direcção do infinito, esquartejar nuvens, abrir a humidade de par em par, sentir o cheiro das estrelas, romper a lua, ser recolhido em Marte e dançar …

Um dia ilustro um texto teu...!

Santana – samba pa ti



Um dia ilustro um texto teu
O sorriso do meu Avô que pouco vi, mas fixei. Os olhos do meu Pai, uma ternura de céu, e eu desatado em nós incompletos, rasgados, desfeitos.
E no entanto gosto de te ler…
“ Vivo o que escreves...é como se estivesse lá”.
…e eu, sim, ando por lá. Ou por aí.
Quantas vezes nem ando, nem sei de mim. Pouco me sinto e dói-me a alma, absorvido pelo rés-do-chão da vida.
E desligo, construo castelos, onde permito poucas entradas, e enquanto aí, sou feliz.
E a incógnita do que sai e sobra de cada texto redobra a magia do que fazes, o que inquieta as almas enquanto imagino o porquê daquela palavra, daquela frase, o destino da mensagem (como se houvesse destino ou porquê…).
Um dia ilustro um texto teu…
Não sei se teu, vivido por ti, se inventado, se conheces alguém assim. E quando o próximo chega… diferente, mas sem descodificador, misterioso e mágico. E tudo continua como num filme, cujo fim fica em “aberto”.
Será o que tu quiseres, o que eu quiser, o que …

Na Viela da Saudade...

Na viela da saudade.


Uma rua como tantas outras, uma esquina como outras, semblantes vagueiam entre caixotes e beatas já fumadas.
A viela da saudade é o vazadouro dos inquietos.
Restos de gente sem prazo de validade, atirados como pedaço de qualquer coisa nos corredores ensonados de soporíferos.

Olhares perdidos flutuavam na janela do segundo piso, Marcianos, Plebeus, Reis, Deus, Anti-cristo, Cientista, Napoleão, de tudo existe no aconchego da nádega dada à seringa ao copo plástico três quartos de água e bolinhas brancas como comprimidos.

Evadidos dos próprios, quebrando correntes e historias de pasmo, baloiçando suavemente dentro deles.
Raramente recordam sonhos, fantasiam-nos.
Gente que não se vê gente... mas que se sente.
Empalhados sequiosos, etiquetados com prozac´s de cabeça feita vento, trauteando cenários dantescos com premonição assustadora.
Dilúvios de jovens arrancados à vida, indolentes sonhadores, poetas de marfim, escritores de ocasião, declamadores.
Cabeças rapadas,…

Um dia levo-te para um elevador e carrego no Stop

Paulo Gonzo e Lucia Moniz - Leve beijo triste


Um dia levo-te para um elevador e carrego no Stop


A intensidade com que aprecio os dias inteiros e não pela metade,o meu equilibrio a três-quartos mantido por extremos, a minha felicidade ao lado da sombra, a tua vida dentro dos livros, no alto das árvores, nas primeiras chuvas, nos textos que leio, na imaginação fértil, as saudades que tenho de um abraço, e fico esquecido do lado de lá.

Um dia levo-te para um elevador e carrego no Stop.

O trilho fermentado do desejo, o teu cheiro no meu, o grito que abafas com a minha boca, a sombra volátil do meu corpo e a tua lingua que me impõe lei marcial.
Vou-me emprestar a ti a fundo perdido, sem depósito nem caução enquanto o mar nos arrulha por entre esperas e os olhos batem num duelo de cansaço.
Agarras nos meus braços, esconjuras pecados e benzes-me com rezas ancestrais, atinjo o teu coração à dentada e sofregamente escorrego nos teus braços, como suicida indeciso.

Accionas a presença de Deus, ab…