Touch Me...!




Ventos que embalam folhas numa brisa, luxúria esquecida no silêncio instalado.
Um corpo translúcido de alma e uma dança sem fim.
Lê e relê todas as cartas, faz parêntesis nos toques que não me deste e nos beijos que pensaste possível.

Escuta as vozes que te gritam encerradas em bocas como masmorras, e embrulha-te na madrugada, sons de trinados repletos de poesia que ecoam em ti.

Arrasta-me o corpo e reparte-me em pedaços.
Conserva o teu olhar discreto, os lábios carmesim e um doce sabor de morango como a elipse da vida.
Sossega a verve na tua exaltação interior, por dias que se subtraem e noites que se prolongam.
Fotografa-me a alma, arquitecta planos infinitos nos corpos que se inquietam e um chá morno no lugar defronte do teu… que era o meu.

Toca-me e não me craves adagas no peito como quem solta um lamento, tormento de palavras cruas, olhares cristalinos, desejos eternizados e forcep´s que afastam feridas por dentro de ti, dos desvarios que a mente sustenta.

Nada disto faz sentido, agora que já não estou.
Mas lê e relê todas as cartas, identifica conversas, imagina e interpreta gestos, sons e imagens, o amor que não foi entregue em boiões de ovos-moles, historias cortadas a espaços em estrofes desconexas dos meus versos.

Parti para outra eternidade… dizem alguns.
E esse teu corpo que poisa sem me tocar e a ausência do abismo de calor, meridianos na boca como mares frenéticos nas comissuras dos lábios que me afogam.
Tocas-me de olhos fechados, imprimes-me em folhas A4, deslizas pinturas na pele e luas de prata, adicionando rotas aos percursos impróprios para me chegar.

Escuta a alma, sente o correr do sangue nas veias, alicerça razões e escreve sem cessar, esgotando palavras, escurecendo cadernos, e expõe como Dali e Degas.

Aqui chegados a lugar nenhum, no meio do nada, lugar aprazível onde me encontro, sentirás o meu cheiro e sabor, espírito vagabundo.

E devagar, devagarinho, não perturbando, de mansinho, sentirás a pele que ainda arde, depois de fugir do teu mundo, sem alarde.

Comentários

Anónimo disse…
É sempre muito difícil dizer-se alguma coisa! Bom, muuuuito bom !
Paula disse…
Interessante como o que um ser humano escreve e expressa, parece dirigir-se particularmente à nossa alma, tal é a força da palavra.
Ana disse…
Tocas-me com a tua forma de escrever...com as palavras que escolhes e com as mensagens que ficam...
Parabéns, outro texto lindo!
Bj
Anónimo disse…
...toca-nos na alma; faz-nos parar; incita-nos a ler mais uma vez para "beber" tudo e obriga-nos a pensar...

TG
Néua disse…
1000 conversas?? Fico à espera da próxima :)

Descobri este cantinho por acaso, enquanto estava cheia do trabalho! Vou voltar mais vezes :)

Consegues "fotografar a alma de alguém"?? Ás vezes ansiamos que chegue alguém que nos fotografe dessa maneira, mas no fundo trememos de medo que alguém o consiga fazer, que ponha a nu todos os nossos pensamentos e sentimentos, receamos que a fotografia não seja aquilo que queremos ver e recordar...

Beijo
Anónimo disse…
necessario verificar:)

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