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A mostrar mensagens de Abril, 2010

Sopro do Porto

Ruas na cidade.

Granito solto como pedreira virada ao mundo. Espaços estreitos, ilhas desalinhadas, uma baixa com referência arquitectónica.

A turbulencia no Douro que encharca uma ribeira de peito farto e mulher cheia.
Gente que filtra outra gente, silêncios de alma, alho porro e martelinho.

Ecos de solidão, sobrevivência e um fardo na memória retirado das cictrizes que te cosem o interior.

Um cimbalino e um verde com as tripas como manda a tradição, o cabrito pelo S. João, o salto da fogueira, grupos na Baixa, na Boavista e na Foz e as luzes dos dois lados que se unem por cinco pontes marialvas e iluminam o ar de festa com o foguetório altruista.

Mascarados sem dentes, arrivistas de almas perdidas e equilibristas sem corpo. Embriaguez de alma e uma seringa que deambula no bairro do Cerco.

Ossos desalinhados enquanto trocas os Vês pelos Bês em névoas matinais e um abraço amigo que te cobre o peito e afaga o rosto.

Um sopro do Porto, na chuva que te cobre o rosto e o teu sorriso nave…

NOS BRAÇOS DA LUA

Era chegada a hora do baile da Lua.

Enquanto a noite se aprontava, os convidados afinavam vozes, iluminavam as suas roupas e riam do calar do silêncio.

Tocava a musica e os sapatos de verniz com calças de cetim desfilavam no firmamento.
Estrelas despontavam, enquanto o Sol já desaparecido, contorcia-se nocturno para espreitar.
Eu, ainda descalço, embriagado de cor e vazio de cerimónias, depositava uma flor na tua mão.
E… foi assim que passamos a noite... passeando o silêncio pela mão.

Naquele ponto havia longe e distância e a certeza de não mais sentir a falta… da falta que sentíamos de nós.

Existe um fio ténue, cru, incolor, mas um fio que nos liga, enquanto no baile da Lua as estrelas resplandescem e a musica convida.
Não sei a medida, nem a distância, nem se encordoado ou não, nem se tem alma ou matéria, mas sei que me prende a ti.

Sinto eternidade nestas almas que aqui habitam, encravadas num vazio oco, que me faz olhar uma e outra vez para baixo, não vá falhar-me o pé.
Estou…

Sílabas e o meu jardim de Inverno

Não é tarde nem cedo, nem longe nem perto.


Tenho a voz a conjugar paixão na língua afásica dos anjos e os olhos desorbitados dentro de um perímetro que fecha um círculo onde ensaio palavras inconformadas.

Não alcanço nunca o jardim de inverno nem as palavras dos pássaros, as vozes dos anjos, nem árvores semeadas, nem os dias inclinados, como se fosse a manifestação sublime da escrita, que não atinjo.

Tento a inquietude, movimentar-me na palavra, transpor-me nela, soltar os ímpetos da mão que revigora frase.

Nunca nos ensinam a sobreviver, mandam-nos à luta e trazemos a vida inteira estampada no olhar, como as rugas dos velhos.

Caminho nesse chão que pisas, percorro o ritmo e ângulos de luz que nos povoam, e o meu medo.

Medo de não saber olhar.

Ou olhar com decalque, um plágio no olhar, abraços de mar que não dou e palavras baças que não escrevo, nem frases substanciais, porque não sei chegar a ti.

Falas coisas sem palavras, nem gestos,  numa mudez simbólica e afinal entendo tanto d…

CARA OU COROA

Desenho-te a traço carregado, como numa cirurgia reconstrutiva.

Vivo em ti, como se nascesse com febre dos fenos, pé boto, carência vitamínica ou incomodo sazonal.

Aprende-se a viver com isto, como o teu espírito colado à minha pele, a asma que me habita e a vista cansada, o meu “footing” matinal e o teu olhar que me perturba uma e outra vez.

Insistes em aparecer por entre os meus sonhos, entre frases e letras miudinhas que já não leio, e os teus sinais as tuas lembranças que já mal recordo.

Reclamas das datas que não sei, da minha cabeça no ar, dos locais onde passamos e dos beijos que demos em noites de lua cheia e dos meus sonoros uivos (nas tuas palavras).

Relevo o teu olhar matreiro e o meu constrangimento quando me apertas num arremesso de desejo violento, em poses vertiginosas como atleta olímpica em maratonas cruzadas com movimentos em paralelas assimétricas.

E apareces assim do nada nas noites sombrias de leituras nocturnas, saída do capitulo nove no terceiro parágrafo.

Sim…

PREMIO

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Este prémio foi gentilmente oferecido pelo Blogue DIABINHOS FORA (http://aidiabo.blogspot.com/) da M M.                   Visitem-no que vale a pena.



Devo responder a 3 questões e passar a três outros blogues que considere merecedores.

1. Por que acha que mereceu este selo?

R: Não faço ideia. Foi simpatia da Diabinhos!

2. Na sua opinião, qual o post do seu blogue que acha merecedor de um prémio?

R: Claro que os textos são diferentes e cada qual tem um trabalho de escrita e construção por trás. Não escolho nenhum em particular. Todos eles são reflexo da minha vontade e desejo de escrever.

3. Do blogue que me indicou, o que mais me agrada? Ele merecia o blog de ouro?

R: Sem dúvida que sim!  É um blogue bem trabalhado, onde sobressai maturidade e envolvência na escrita, pecando apenas por não nos brindar com mais.

E passo este prémio a.....

HEAVENLY  -http://vascotrancoso.blogspot.com/
O Vasco fotografa e escreve maravilhosamente

RETRATOS E TEATROS - http://www.retratoseteatros.pt.to/
Porque …