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A mostrar mensagens de Maio, 2010

HISTÓRIAS DE ENCANTAR

Reza a história que há muito, muito tempo, um Arauto do Bem pronunciou um juramento.

Afirmou, para quem o quis ouvir (e também para os outros), que queria mais empregos, uma economia crescente, um País com ideias e que seria contra, mas totalmente contra, ilhas de políticos e gestores num País tão pequeno.

Disse aquilo que todos nós, o Povo, gostamos de ouvir.

Contratou para o seu séquito, nobres afamados e alguns Bobos da Corte, para alegrar a dita.

Abrenúncio, Saramago, pé de cabra. Excomungo os maus e enlevo os bons – afirmou.

Este Cavaleiro Andante, sempre pronto a recolher bênções à esquerda e à direita, teve notórios e auspiciosos resultados na promoção e cultivo dos valores do altruísmo e solidariedade, na defesa e protecção dos fracos, necessitados e injustiçados, assim como na desmotivação, perseguição e erradicação do compadrio e das injustiças do mau-olhado.

Nunca Deus, nestas Cruzadas pelo Império deixou de inspirar tamanho Cavaleiro, de decisões tão certeiras e atinadas.…

Será assim que as coisas ficam ?

Dói-me o corpo e estranho-me como se estivesse fora de mim.

Por vezes um passo, um salto no vazio e nem sei se nas nuvens se no chão empedrado.

Sinto as artérias flamejantes o coração fora do sitio e um cair desamparado como se deixasse de existir.

Será assim que as coisas ficam ?
Apagamos e mais nada ?

Uma veia bulímica articula batimentos com o coração. Fantasmas envolvem-me e escutam em confissão como se um engano cósmico... os fiapos de atenção que não tenho.

Pedaços de asas abertas em atitude protectora, fazem-me sombra e seguram-me do passo seguinte. O teu corpo que chama por mim e eu como que misturado em ti.

Os meus fantasmas dançarinos e eu desafinado, rasgo a pele como rabiscos na escrita, rascunhos, traços finos por dentro de ti, pinceladas de cor no teu cinzento cortante.

Habito paredes meias entre silêncios calibrados num sorriso e palavras desgarradas, truncadas, encriptadas e incorrectas, como contornos de cordilheira, enquanto deslaço o sentimento agreste que antecede…

SIMPLESMENTE

Olhares que se cruzam e ficam na iminência do expirar do prazo, entre uma reticência e outra.

Não sei quanto vale o instante, mas sei do empecilho das palavras quando os nossos olhares se tocam.

Devolve-me o prazer do silêncio, esse que nos abraça e alcança entre risos estridentes, como só nós.
Esse que escorrega devagar pelos vidros, enquanto a chuva lá fora, chora da ausência de ti.

O teu coração conhece os detalhes do meu e juntos desatam nós e bloqueios, redescobrindo caminhos novos para o espaço entre o verbo e o canto.

Quero proteger-te de todos os Invernos, das lamas e lençóis de água, do frio, das nuvens e do pó que se atira e se mete por dentro de nós, e sentir contigo o gelo que derrete no beiral e as rãs que coaxam no charco enquanto encostas o teu rosto no meu ombro e descansas em mim para sempre.

Afago-te as feridas e os gemidos de dor nos momentos cruéis e acompanho-te o compasso dos sonhos, e encosto-me aos teus medos e anseios, conferindo-te presença.

Mapeei a minha v…