05 junho, 2010

HOW WONDERFUL YOU ARE





Atiras com palavras mescladas de sentimentos, em cada nó que em si deslaça, rastro perfumado do teu corpo musical.


A tua língua húmida e um corpo, deserto de mim
Boca forrada de palavras e a culpa do silêncio que me dói, na incerteza de qualquer verdade

Vives reticências cirúrgicas e o nó górdio que impões reflexamente, impedem o alcance desejado.
Cozo-te carne e pele, ato-te a mim e espalho “post-it´s” coloridos no embaraço que sentes quando me tens.

Tento alquimias e feitiços, rezas, bruxarias e candomblé, hologramas de penitências entre Deus e o Divino

Apeteces-me sem protocolos nem palavras vãs, prazos de validade ou preconceito.
E instalas o inferno em ti quando ausente de mim.

Fecho-me em concha, na protecção dos Invernos, marés intensas e lua cheia. Afago as feridas que me deixas com cremes, pinças e algodões.

Guardo os silêncios no meu interior e defino os parágrafos, reticências e ponto final.

Gosto que me confundas com o rebentar das ondas em volúpias do meu corpo encharcado de marés e beijos molhados pelas paredes do teu. Fico assim enredado em ti, como beco sem saída e sem direcção.

Devolve-me o acautelar do riso e a vergonha, noites pacificadas num abraço e a paixão em estado líquido.

Trato a ansiedade, apoplexia, evocações de tragédias, o tremor das pernas e o instante de loucura em sinal de perda, como vísceras que escorregam e estrangulam em morte iminente, e no entanto no enunciado da tragédia, leio analogias nas nuvens e o teu pulsar dentro de mim.

Musica como recompensa, murmúrios de corpos numa entrega sem fim e o desejo nos teus lábios como frágil destino.

E o vazio em que afogo esta paixão que não consigo respirar, no mais solitário dos instantes e a tua alma que vagueia nas asas do condor, tocando harpas e oboés quando me encontras o olhar.

Fecho-me em concha até ao próximo céu numa nova lua de um qualquer planeta estrelado

Atira-me palavras mescladas de sentimentos, sem reticências e respira-me devagar até perderes os sentidos, pontos-cardeais e o mimetismo dócil que me faz criança em ti.

Quero-te de novo, neófito doce entre desamparos de lágrimas que sucumbem na memória que me enjeita, e o teu corpo geométrico no labirinto da minha boca.

5 comentários:

Lídia Borges disse...

(...)"e o desejo nos teus lábios como frágil destino."

Inebriante... Perfumado...Perfeito...


Para ler e reler como quem absorve um suave licor.

L.B.

paula disse...

a Lídia já disse tudo.

parabéns, Pedro!, não te esgotas, melhoras-te.

Anónimo disse...

E não fosse a sua discutivel existência diria:
Um escrito "...com sujeito, predicado, complemento" e ALMA ...

Truly amazing!
How wonderful it is ...

A.W.

Anónimo disse...

(...)"Fecho-me em concha até ao próximo céu numa nova lua de um qualquer planeta estrelado".
Mas renasce rapido pf.
Aquilo que escreves e como escreves, com personagens tão próximas que nos revemos nelas, são dignas de continuidade. Demora se quiseres, mas não nos afastes da tua escrita sublime, própria de gente GRANDE.

Onde andam as editoras deste País?
Publiquem este Homem.!

Anónimo disse...

este Homem, não é publicável, A.Warlet, por ser sentimento, puro, inteiro!

onde estão os editores?!
publiquem este SABER ESCREVER!