Mensagens

A mostrar mensagens de Novembro, 2010

PEDAÇO DE ALMA

Às vezes a bruma sobe pelo rio e o outro lado desaparece levando com ele barcos ancorados e gente dispersa.

A ponte deixa-se ficar e espraia-se por entre telhados enquanto o comboio vagaroso sublinha reticências, na esperança de chegar ao fim.

Os rabelos dormem pachorrentos e a falésia cor de barro agita as gentes dos guindais.

Um homem gordo de bexigas e ar altaneiro a vociferar, deslumbrado com as miúdas galopantes, tipo ardósia aos guinchos que desaguam pelas vielas.
Ele tisnado, lençinho ao pescoço, cachucho no dedo mindinho e os suores alagados na base da testa.

E nisso, o teu estendal de roupa com molas cores de fruta e o som da cidade a descompasso.
Flashes do presente, sonhos do passado, os mesmos passos em labirinto sem saída.

Os gatafunhos que te lia, o caderno quadriculado com um piano de cauda desenhado, a tua mão destreinada e os tremores que já na altura te agitavam corpo e alma.

As tuas pálpebras caídas sobre o meu rosto cansado, salpicam promessas, enquanto estir…