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A mostrar mensagens de Dezembro, 2010

Da minha varanda vejo o rio...!

Saíamos ao som de todas as musicas e baralhávamo-nos a descompasso, agarrados pele na pele, mão na mão e línguas tocadas como melodias de Bach.

Esbarramos nas esquinas do passado e enfrentamos dolorosamente os trajectos do futuro.
Faço vénias à tua presença em mim, repiso os teus passos, e busco a alma em labirintos traçados a régua e esquadro, pensados ao pormenor, para nos perdermos, inquietos amantes.

O calor do teu corpo no vidro da janela, o sopro no coração que me repela, e ecos de desejo como restos de beijos ao desbarato que deixamos impregnados em nós.

Não adormeço nos teus braços mas ancoro a minha existência no teu porto de abrigo enquanto sonho vigílias da tua ausência.

Da minha varanda vejo o rio.
Barcos ancorados como pranto de criança, rastos de sonhos, e as nossas unhas espetadas arranhando ao de leve na franja do estuário, enquanto gaivotas esvoaçam, trazendo acoplados recadinhos de anúncios em escapadelas de beijos e abraços.

Tenho-te como música enquanto baloiça…

No teu livro, uma linha.

Havia pão acabado de cozer no forno a lenha, tijelas de marmelada na varanda e compotas em cima da mesa.

A lua boiava no céu, o sol espreitava atrevido, o sino tocava e o adro da igreja enchia como domingo.
Mantive os portões abertos, os muros cobertos de heras e o brilho da tua pele franqueava-me um sorriso.

A tua parcimónia de palavras, o teu rosto que se fechava, o conhaque no meu copo aquecido. E no entanto, as mãos dadas, o teu perfume, o gato persa nas tuas pernas o meu ronronar em ti e nem um afago.
O teu afago simples, sensível, vertiginoso em mim.

E eu no teu livro apenas uma linha.
Nem um capítulo, nem uma vírgula, apenas uma linha.

Refugio-me em escapatórias e um raio oblíquo de sol empastela-me, salpicando-me os olhos de lágrimas furtivas.

E vinha nas análises, que me circulas nas veias, enquanto taquicardias evitam correrias extremas por entre a bílis que segregas.
Preciso de me desmontar e reciclar, e adensar com picaretas, cimento armado, areias e marfins, numa re…