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A mostrar mensagens de Abril, 2011

DUAS METADES DE TI

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Duas metades de ti.

Passos que marcam. Curvas que desalinham. Montanhas russas. Fastio e cansaço. Fome e migalhas. Sinos que tocam a rebate. Círculos sem fim. Uma parte de ti sem a outra parte de mim.

Apetece-me outros passos que não os meus, a mansidão dos dias, a luz e a noite, uns dedos distraídos que aninham prazer.

O silêncio nas minhas rugas e nos teus lábios, o vestido translúcido, o peito que bate refilão, o meu coração inquieto... A tua parte sem a outra parte de mim.

Concisa e segura, pernas sem poiso certo, com pudor e contenção.
Fêmea sem cio, os meus olhos como velas, um amor solto como fé pagã, remendado com bocadinhos teus.
Palavras por dizer.

O teu jeito e trejeito que me faz mossa. Corpo e textura. Incenso e paz. Doce e amargo. Olfacto e paladar. As tuas pernas no meu peito sem rasto nem dor.

Queres-me diabo com sushi, obstáculo a ultrapassar, persistência e devoção.
O chão que me falta nas tuas curvas, suspiros e risos nos teus olhos, o equilíbrio nos teus salt…

A NOITE DESEJA E O RIO FAZ

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A noite era curta para tanto que dizer.

As luzes madrugadoras tinham sido amantes nas margens do rio e o tempo não permitia avanços, nem recuos.

O espelho de água transformava sombras numa volúpia dançante, com jeitos de bailarina reflectindo cor, tempo, alma e desejo.

Tudo aquilo que a noite deseja e o rio faz.

As trevas embalam-nos num abraço aquecido, interrompido aqui e ali por respiração ofegante, seca, intensa, que trespassa o coração.

O rio gritou, as margens transbordaram e tamanha era a luz que a lua se envergonhou de tanta cor.

O teu corpo ressente-se, aflito.
Nem duas palavras, um ritmo anaeróbico e o espelho da vida na passagem fugaz do tempo.

A clarividência do teu riso de criança, as saudades do enrosco num abraço, o crepitar da tua alma e a boca adocicada.

Barco que se aproxima das margens do rio, num aconchego, e eu a sorver-te calor em gestos curtos.

Metro e meio por meio metro, vaporadas de nevoeiro que se levantam do rio, os teus lábios carmim, como sombras de …

I NEED

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Deixei o livro aberto no chão.
Letras ofegantes procuram saída. O sol poisou na vidraça e queimou-me pele enquanto o voo rasante do pombo anilhado repousa no quintal vizinho.

Deixei a boca no livro, página sete, terceiro capítulo.
A boca e o beijo, na esperança vã que me sintas os lábios e os percorras sedenta, lânguida.
O decote que te aperfeiçoa, e as mãos que me percorrem, como segredos imperfeitos.

A astúcia que transportas, o horizonte onde me levas e a linha que transpomos em tsunamis no areal.

A tua figura, uma sombra, dois pedaços, a tua voz, derrapagem interior, espaço que não é nosso, um modo desabrido, areia nos pés, e língua profícua entre becos e avenidas.

Lua cheia.

Adoras morar em mim, como um refluxo qualquer, espalhando-te como brasa paralisando-me movimentos.

És quimera, poema, anjo-da-guarda ou infortúnio. Flagelas-me espírito, ocupas-me espaço, cortas-me veias e serras-me consciências em pedaços indecifráveis de meias-palavras ou palavras meias.

Abates-me como …

SONHO

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Fecho a porta que teimosamente se mantém aberta e tapo a alma que razoavelmente se mantém arejada.

Vivo a angústia entre o cais e o navio, e a névoa que me cobre sentimentos.
Faço-me ao sono sem sucesso e, da tua boca, palavras vãs, válvulas entupidas.

Esta quietude.
Passos só os meus, um pássaro na janela e a chuva que escorrega preguiçosa na vidraça.

Por vezes, palavras; outras silêncios, murmúrios também. Gritos lancinantes que percorrem dor ou prazer, mas que não distingo.

Palavras iluminadas também, olhar e carícias, corpo e pele, música harmoniosa, o teu espaço vazio, choro e canto, solfejos teus que não hesito ouvir.

Não sei se durmo, se sonho apenas, ou se é somente um espaço vazio e não o entendo.

Por vezes, no meu interior, um fio de conversa chega de mansinho como quem pede licença para entrar.

As noites estão vazias e eu, só, quase perdido entre mim e algo mais, que não vislumbro, mas sei que sim…. ou não.

Tenho imagens.
Cem ideias e cem imagens.
Folhas arrefecidas nas …