04 maio, 2011

PÁSSAROS NUM CÉU DE MAIO




Pássaros num céu de Maio

Palavras coloridas. Esvoaçantes.
Como pássaros alegres num céu de Maio.

Música translúcida dos teus lábios em mim.
Sílabas inauditas e mágicas. Aromas frescos. Beijos colados na pele. Aguarelas de cor. Almas num só gozo. A lucidez na tua voz.
Pedaços de pecado ou pecado aos pedaços.

Espelhos cristalinos que nos envolvem, solfejos e rabiscos, aguarelas nuas, pétalas soltas, cheiros e perfumes em forma de desejo.

Palavras que me atiras, inebriantes como o teu corpo de mulher.
Vulcão que se faz lava. Sangue dos sentidos. Renovados desejos. Espaços por preencher. Alma cheia com formas e paletes de cores garridas, em pinceladas suaves.

Fragrância que emanas. Tontices minhas. Mordeduras doces com um cerimonial de palavras incertas, em inseguros voos. Parapeito do abismo, névoa de paixão agrilhoada no ventre. Compostos de carbono, diabruras em dó menor.

Anjos em êxtase, braços, pernas e tronco. Mãos que atam e desatam. Asas que voam em túneis de vento.

Pássaros num céu de Maio.

Noites de línguas doces, namoradeiras, silêncios que entopem.
Gente má, liquefeita, míopes sociais, ultrajantes saltitões.
Varinas, delinquentes, anacrónicos e burlões.

A tua e a minha voz, rosto e mãos, travos de desejo, cordilheiras e pontos cardeais.

Geometria de sombras chinesas. Feridas por suturar. Língua forrada de palavras em boca adormecida. A tua química a horas certas.

Café na baixa pombalina, noite apressada. Orquestras afinadas, entranhas remexidas, espaços a céu aberto, matriz dos dias.
Beijar-te no parapeito. Traduzir-te em simultâneo. Vaguear no teu corpo e fazer-te epílogo.

Jogada aritmética, dois-vezes-um-dois. Muleta linguística. Notícias a traço grosso. Sonoridade tangível. Peito arfante. O caminho do fim.

E os pássaros num céu de Maio.

3 comentários:

Maria disse...

Consigo ver as cores e sentir o aroma fresco, em " PÁSSAROS NUM CÈU DE MAIO"!
Lindo! Um bj

Olívia disse...

"Estrelada, noite estrelada
Flores flamejantes que resplandecem"

Van Gog!... Delicioso este "Pássaros num céu de Maio"

A "geometria" do texto é um convite à viagem pelas sendas do imprevisto.
"A tua química a horas certas".

Um beijo

L.B.

Anónimo disse...

"Beijar-te no parapeito. Traduzir-te em simultâneo. Vaguear no teu corpo e fazer-te epílogo"
...

Vaguear, nos teus textos, são traduções de desejo, que nos levam aos "Pássaros num céu de Maio)...

Lindo, mais um...