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A mostrar mensagens de Junho, 2011

FICAR OU PARTIR

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A finitude.
A nossa e a dos outros.
O vazio, a falta, o desaparecimento.
Como será desaparecer, deixar de contar, perder a infalibilidade.

O bom e o amargo.
Quem nos chora, quem nos revê, quem nos sente.

Um batimento de asas, um voo picado, pó de Anjo.
E navegamos em águas turvas, espaços bolorentos, enganos interiores, imagens irreflectidas, virtuosos da incompetência e estupidez. Magnatas da asneira.

E fraquejamos como o sol que amansa o vento, o silêncio as palavras, o prazer a melodia, os gestos o ódio, o amor a emoção.
Conversas esburacadas minadas e vazias, significados ocultos, alheados por inteiro.

Vivemos a espaços na virulência do quotidiano e dissecamos febres hemorrágicas num prenúncio de fim.

Sei que raramente me lês, pouco queres saber e volta-não-volta configuras-te e estendes tapete vermelho à minha passagem.
Como se eu tonto, não te soubesse de antemão.

Vida feita de pantominas, gestos de dança, teatralizações suaves e cronometradas, sustentados em algodão d…

O TEU EXORCISMO

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O teu exorcismo

Entrelaço sentimentos proibidos enquanto exibes letras reprimidas.

Tens válvulas que te escapam, artérias descoordenadas, amores… com dores só tuas, poros dilatados de tristeza acumulada, e um caminho de luz em forma de sonhos musicados.

Respingas os teus desejos através do olhar, do teu corpo às arrecuas, do sorriso malandro entre os dentes.

Sei o que te uniu.
Toques subtis, gestos prosaicos, a tua mão no meu peito, unhas cravadas,
delírio escandalizado, a tua maroteira.

O teu prazer nos entremeios dos lençóis, gritos desalmados no meu interior,
pedras que se mexem dentro de mim, contorções de alma.
O teu exorcismo.

E o tempo flui sonolentamente num retorno à intimidade
Ainda não sei o que te acalma ou o que te rastilha.

Se incendeias fácil, se ris baixinho, se beijas suave,
se resvalas nos lábios apenas… se o meu coração aguenta sustos a desoras.
Farás aí o teu exorcismo.

O meu corpo. Conexões, apêndices vários.
Braços que se prolongam dos teus, a minha alma pr…

FESTAS POPULARES

Cantam pobres, ricos, remediados, salta a fogueira e a sardinha,
vestes engalanadas, pregões de boca em boca,
respinga alto a varina.

Cerveja a rodos, copos de tinto vadio, proxenetas afivelados com roupa multicolor,
- Ó filha estás bem prendada
- É para ti, meu amor…!

Fadistas em dó menor, mulheres fáceis da vida, paixonetas titubeantes,
aqui se abraçam amantes.

Rodopiam na avenida em marchas triunfantes,
velhas ensinam rezas, fazem tranças,
E da Mouraria a Alfama, e do lado do Bugio,
há gente que espreita da Bestega ao Rossio.

Cantam o Fado na Madragoa,
Velhos gaiteiros regados a vinho
Gritam, dançam, rodopiam o manjerico
Corre o Plebeu, discursa o Erudito,
lança a escada o mafarrico,

Fica comigo, então…!

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Ruelas de céu aberto, cicatrizes em espaços esventrados, salpicos de vergonha, mãos pegajosas de algodão doce.

Nós no cinema, frases dramáticas de heróis trágicos.

Mão na mão, consentimento no olhar. A tua pele de galinha…- Sabes que te amo… dizias.

Fica comigo então…!

Corridas no S. João, martelinhos em debandada.
As tuas mentiras que me devastavam a flor da pele, sinapses no coração, estardalhaços mentais e o meu desprezo.

Valsa dançante de vontades no escuro, corpos que se tocam, rodopios frenéticos em simetria perfeita.

Pescoço e boca, costas com costas, volteios... Apenas volteios.

Respiração regular, soberba no olhar e o Douro em fundo. Abraços já circunstanciais, a tua insanidade evidente em gestos contaminados e de repente um pranto… E o teu medo.

Eu… inocuidades gentis, gestos controlados, medo de chocar nos teus olhos. Transfiguro-me.

Um pé dentro outro fora, derrame de ofensas, cãibras na garganta que evitam desaforos, fiapos de simpatia, derrapanço de compaixão.

- Sa…