19 junho, 2011

FICAR OU PARTIR



A finitude.
A nossa e a dos outros.
O vazio, a falta, o desaparecimento.
Como será desaparecer, deixar de contar, perder a infalibilidade.

O bom e o amargo.
Quem nos chora, quem nos revê, quem nos sente.

Um batimento de asas, um voo picado, pó de Anjo.
E navegamos em águas turvas, espaços bolorentos, enganos interiores, imagens irreflectidas, virtuosos da incompetência e estupidez. Magnatas da asneira.

E fraquejamos como o sol que amansa o vento, o silêncio as palavras, o prazer a melodia, os gestos o ódio, o amor a emoção.
Conversas esburacadas minadas e vazias, significados ocultos, alheados por inteiro.

Vivemos a espaços na virulência do quotidiano e dissecamos febres hemorrágicas num prenúncio de fim.

Sei que raramente me lês, pouco queres saber e volta-não-volta configuras-te e estendes tapete vermelho à minha passagem.
Como se eu tonto, não te soubesse de antemão.

Vida feita de pantominas, gestos de dança, teatralizações suaves e cronometradas, sustentados em algodão doce e água, pó e máscaras.
As nossas máscaras.

Sinaléticas da vida, intermitentes.
Dão passagem e barram o caminho. Acendem e apagam.
São mira telescópica e visão em Braille.

Mas tudo é inconsistência, desejos gelatinosos, exuberância em caminhadas nocturnas ou pujança feita de imagens.
Sentimentos fiados e tecelados dentro de nós. Interior remexido, cozinhados do que somos, pedaços tentaculares.

E nessa busca infrutífera, apenas rendilhados superficiais.
Alguns bilhetes, poucas notas, lembranças algumas, pedaços amachucados de nós e de outros, sorrisos guardados, memórias subtis, alegrias contagiosas e traumas bafientos, rugosidades, hesitações, texturas sintéticas e toques implacáveis.

Mas tudo meio baralhado e espalhado, vazio, oco.
Coisas impossíveis de realizar, outras a fazer.
Algumas que aceitamos como super-importantes, deixarão de ter importância no segundo seguinte.

A finitude plena.
Um zás que se apaga, um tudo que passa a nada, uma existência pueril.
A nossa finitude.
Um nada que somos.

13 comentários:

Anónimo disse...

Ola, mais um poema lindissimo.Parabéns.

Anónimo disse...

Muito bom!!O sentido das palavras encontra-se no coração...de quem diz,de quem ouve e sobretudo de quem as sente!!!

Lídia Borges disse...

Reflectir sobre a efemeridade da vida é uma perda de tempo... Viver é o maior de todos os milagres e deve acontecer a cada instante.
Quando morrer vou definhar com saudades dos sons da rua, ao acordar... Dos pássaros, da magnólia, da chuva a bater nos vidros.
Não tenho tempo para morrer, agora!!!

Um beijo

Patricia disse...

Parabéns pelo seu Blog! Tem uma forma de escrever peculiar, com conteúdos diversificados e que deixam sempre qualquer coisa no leitor.

Eloah disse...

Ficar ou partir nem sempre faz parte das nossas opções.Viver com plenitude deixando o coração indicar o itinerário nem sempre faz sentido mas sempre aquece e encanta a alma.
Parabéns pelo Poema.Um grande abraço.

Anónimo disse...

Hey
I really like yours site. keep it as is.

Pedro Viegas disse...

really ? And you understand portuguese ?

Lídia Borges disse...

Gostei muito deste, Pedro.
Não tens mais? :)

Um beijo

Verânia Aguiar disse...

gstei mt! :D

Janaina Cruz disse...

O que posso dizer ????

O que lí é muito mais do que perfeito!!!

Sigo o blog com prazer...

Abraços

luz efemera disse...

"Lamento!
O medo da desgraça e da contrariedade
Que nunca se aprenda a fazer dele a força
Porque para alguns já nem força têm para ter medo
Lamento!
Que se aprisionem cada um em sua mente
Porque há momentos em que temos de decidir
Se faz sentido permanecer mais um tempo neste mundo
Ou se para outros reinos é imperativo partir!"

Continuo intrigada com os textos que o Pedro escreve. São de uma intensidade e introspecção...

Abraço

Becasfields disse...

:)
Só isto pq há temas que mexem e remexem emoções até perdidas no tempo!
Vale a pena resolver qualquer dúvida!
Vale a pena decidir!

Abraço

Emoções disse...

A arte de escrever transforma escritores em sonhadores,a alma atinge o céu e simples palavras se transformam em sentimentos...