27 setembro, 2011

Apenas os teus olhos… sem palavras



Já é Outono e as pessoas evoluem em passo lento, resignadas e cansadas.
Os corpos despegados soltam-se a espaços

Há rostos que falam, que contam histórias...olhares brilhantes, sorridentes, outros tristes, marejados discretos.

As palavras perdem-se.

Algumas nem se dão por achadas, os gestos tocam e encontram-nos.

As palavras tentam, mordem, alcançam, cantam-se e ferem, abanam e apoderam-se de nós, enlaçando, remexendo, correndo desabridas sem alcance.

Vivemos suspensos num tempo de nada, tentando derrubes de defesas construídas com cuidado e propriedade.

Leio as tuas histórias sem nome nem rosto, maquetas construídas a preceito, palavras que sublinham desenho, leituras suaves e um deserto de emoções à deriva.

Quando te olho não preciso de palavras.

Mas tu fazes um cerimonial de desacertos e procuras a geometria do meu corpo na voragem dos dias.

Lábios deslumbrados e sangue dos sentidos, lábios com palavras escritas por mim.

Quando te oiço não preciso da tua presença.

Pedaços de teias, enredos, labirintos, medo de abraços sem antestreia nem ensaio geral.

Tempo sem espaço, dias e noites em desacordo, voragem dos dias.

O âmago da solidão que me invade e me habita,o solfejo em partituras, o teu regresso ao meu sorriso, adjectivos e perífrases prolongadas.

Já é Outono e os corpos a descompasso, olhares profundos, inquietos, a memória da terra, a minha ausência temporal.

Jardins de ódios e afectos, buganvílias e ervas aromáticas, um oceano no teu olhar, Cassiopeia em meu redor, sonhos líricos vertiginosos.

São escritos que concebes e eu acolho, invasão nocturna sem gestos nem afagos.

Apenas os teus olhos sem palavras.

8 comentários:

Becasfields disse...

E assim a sensualidade se canta...
E assim se eternizam afectos...
E assim... sempre aqui voltaremos!

Ana disse...

A mim faltam-me sempre as palavras para comentar a forma envolvente como escreves...Lindo!

Lídia Borges disse...

Como se chovesse... Gota a gota um rio.

Beijo

L.B.

Lídia Borges disse...

Como se chovesse, gota a gota, um rio...

Um beijo

Alda disse...

Lindo... como sempre Zé!

Esta musica ficará para sempre no meu coração... foi a escolhida para o final da nossa peça de teatro Rosa Esperança, quando vamos todos ao palco agradecer os aplausos!
Beijinhos

Alda disse...

Zé,
não pedi, e peço desculpa, mas gostei tanto que postei no meu jardins da alma... convido a uma visita.
http://jardinsdaalma.blogspot.com

luz efemera disse...

Cada texto que leio e absorvo, faço-o num voo planado ao mundo dos sentimentos humanos e os conceitos interligados são de tal forma potentes que salto instintivamente para dentro deste novelo de vivências, paixões e desencantos...

Anónimo disse...

"As palavras perdem-se"
"Quando te oiço não preciso da tua presença"

Apenas a tua escrita!

Já é quase Primavera...