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A mostrar mensagens de Outubro, 2011

SEGREDOS DOS DEUSES

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De dia abraço o Tejo… de noite a madrugada.
Da minha janela a cidade e uma luz esvoaçante.

Do nosso quarto vês a Lua, um rio, espelho de água e uma traineira.

Aí navegam os meus silêncios, enquanto corpos se enlaçam nos beirais, nas pontes à descoberta e nas ameias do castelo.
Tens Lisboa nos lábios, fado inquieto na língua.

Nuvens bailam a céu aberto, pinturas a carvão em tela difusa.
Lisboa de sombra e luz. Partir e ficar. Máscaras caídas após o bater das asas.

Senhoritas como contos de polichinelo, damas de cetim e olhar amendoado.
Lágrimas que apertas no peito. Caderno de partitura com música escondida.

Do jardim abraço o dia, na praia o pôr-do-sol.
Olhos de Anjo em segredos de pássaro.
Saudades com gente dentro. Carótida atiçada. Eufemismos na tua boca.

Deuses em rastos de gente, dentes que sobejam num sorriso.
Olhos na névoa que se dissipa em bando.
Feridas afagadas para que não sangrem, este texto que sai sofrido e uma bátega de chuva no parapeito, esventrando a noite…

Mil poemas na tua voz....

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Acordo da noite mal dormida.

Meu corpo balança suspenso no vácuo dos teus braços e o teu beijo continua ligado por um hífen ao meu coração.
Pedes-me que te ajude a suster o sonho que te denuncia, num registo de inquietação.

O teu vigor em peito arfante num sono que não consegues dormir.
O teu suor que se espalha entre a pele e o cetim que te envolve cama.
Ínfimo cristal numa noite de fantasmas, sombras que se espalham, corpos esvoaçantes de anjos numa sublime elevação.

Nebulosas diatribes que expeles corpo fora num remoinho constante entre lençóis, como se os meus braços te amansassem fúria

Ajuda-me a conter nos pulmões este luar minguante que invade os côncavos e os convexos da minha solidão.

Ilumina a minha alma incorpórea e alva.
Deixa que eu a veja retratada em ti, gémea e doce, antes que os derradeiros esquissos do sonho se apaguem.

Amanheceu, e abandonas-me ao estrépito rotineiro do relógio.
Fugiste no momento em que os meus braços lançam chamas envolventes na tua di…

UMA LUA DE DESEJO

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E surges do nada, como carro em contramão.
Uma língua forrada a tédio, química sem organismo, como placebo à hora certa.

Rebuscas sem sucesso o interior que esquartejas na incessante mansidão dos hábitos.

Baloiças-me entre órgãos, tropeças num pulmão, alcanças brônquios desimpedidos, tentas o coração.

Ergues-te perscrutando a alma, mas não a vês.
Sentes-me trôpego, velho e inquieto, numa sonoridade tangível, melodiosa.

Sais-me pelo ouvido esquerdo e sussurras na direcção do tímpano.
Não sabes como fazer. Se me rebuscas de novo, se modificas a preceito, se aceitas como tal.

Mexes a quarta-parte do lábio superior como um Outono ocre. Pétalas dissolvidas em rosa púrpura. Um corpo de tudo ou quase nada.

Envolves-te no meu perfume, fazes do meu corpo assombração, abraços em desordem e o aproximar do peito numa dança vivificante.

Noite de línguas doces, namoradeiras, saloias, sonhos em golfadas como placenta rompida, num prenuncio de desejo.

Curvas-te em mim. Descompões tessituras bo…

ENQUANTO TOMBAM AS ESTRELAS

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Os olhos da terra, as asas do sol e os beijos da lua embriagam
e vergam-nos.

Precisas de locomotivas de afago.
Não na velocidade, mas na intensidade do afecto.

Afecto e ódio.
Onde se rasgam e decapitam corpos num vórtice em espiral.
E tu, dentro de mim... sinapses labirínticas no coração.

Um corpo inerte num caminho longo, alma humana como estrada, caminhos tortuosos, obstáculos perenes, pontos de ligação num único sentido.

O guião da nossa jornada já escrito.
A corrente de água que te refresca, o prazer que não é por acaso, os tropeções colocados no parapeito da vida, e o que é... porque tem de ser.

Encolhes-te no teu interior. Alma bafienta. Nevoeiros cerebrais. Boicotes nas meninges.
Greves e palpitações cardíacas.

A perda do tempo, a inquietude no ultimo segundo. O suspiro final.
O tempo que se foi. O abstracto que somos. Um salto no abismo sem rede.

O espelho na memória.
As minhas rugas, os teus papos de Anjo.

As voltas da vida, o minuto seguinte. A voragem do tempo que…