09 outubro, 2011

ENQUANTO TOMBAM AS ESTRELAS

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Os olhos da terra, as asas do sol e os beijos da lua embriagam
e vergam-nos.

Precisas de locomotivas de afago.
Não na velocidade, mas na intensidade do afecto.

Afecto e ódio.
Onde se rasgam e decapitam corpos num vórtice em espiral.
E tu, dentro de mim... sinapses labirínticas no coração.

Um corpo inerte num caminho longo, alma humana como estrada, caminhos tortuosos, obstáculos perenes, pontos de ligação num único sentido.

O guião da nossa jornada já escrito.
A corrente de água que te refresca, o prazer que não é por acaso, os tropeções colocados no parapeito da vida, e o que é... porque tem de ser.

Encolhes-te no teu interior. Alma bafienta. Nevoeiros cerebrais. Boicotes nas meninges.
Greves e palpitações cardíacas.

A perda do tempo, a inquietude no ultimo segundo. O suspiro final.
O tempo que se foi. O abstracto que somos. Um salto no abismo sem rede.

O espelho na memória.
As minhas rugas, os teus papos de Anjo.

As voltas da vida, o minuto seguinte. A voragem do tempo que te deixou imóvel, o desmembrar de tudo, o que não controlas.

Magnitude da vida, a tua Excalibur.
Tu um Lancelote, cavalgando pela eternidade. Rodopios e volteios, e,qual grão de pó no Universo, desfazes-te e nada te resta.

Por isso, deixa que os beijos da lua te embriaguem, agarra os abraços do sol e olha nos olhos da terra.

Esvoaça no amor, aprecia o bater do coração, sente o teu respirar no espelho, adorna as tuas rugas, partilha e dá de ti.

Não traves o teu desejo. Não perpetues a tua angustia, procura mesmo no sitio errado.

Dá a importância que quiseres dar e não te fragilizes.
O valor que deres é o do momento.

A fragilidade vem com a noite e a angústia desacelera na medida da imagem que te deres, dos filmes que fizeres e dos desenhos que imaginares.
Da velocidade assombrosa com que te assaltam os olhos.

Desaperta laços que te prendem.

Beija no minuto seguinte, aperta no peito quem amas, toma banhos de lua e incendeia a vida com o teu sorriso.

3 comentários:

Becasfields disse...

Se me tomo em algum lugar para depois me dar, seja esse momento gravado nos sentidos da vida que poeticamente elevas!
Tomara ter por perto qualquer guião que de tão real me conduzisse no tempo a uma velocidade da luz e assim experimentar, algures, entre a terra, o sol e a lua, aquela embriaguês que nos liberta para o amor!
É sempre gratificante ler-te, inspira-nos para outros voos, voos livres!
A tua dádiva permanecerá intacta em cada texto e a vida de cada um deles terá, certamente, pontos de glória!
Obrigada

Lídia Borges disse...

"desfazes-te e nada te resta."

Não. Resta a Poesia se um sorriso pode ainda "incendiar a vida", se um "banho de lua" pode ser vivificador e o prazer de um abraço, real.

Quando tudo está perdido, tudo está por acontecer.

Um beijo

Anónimo disse...

"Por isso, deixa que os beijos da lua te embriaguem, agarra os abraços do sol e olha nos olhos da terra."

Este Senhor é um Poeta, que nos embriaga, com estes textos, maravilhosos...