Mil conversas, mil temas, mil opiniões, falar de tudo ou quase nada. Desabafos, alegrias e tristezas, risos e cantos, choros e gritos aflitos, saltos na rede e sem rede, liberdade total e inteira responsabilidade.
11 Outubro, 2011
UMA LUA DE DESEJO
E surges do nada, como carro em contramão.
Uma língua forrada a tédio, química sem organismo, como placebo à hora certa.
Rebuscas sem sucesso o interior que esquartejas na incessante mansidão dos hábitos.
Baloiças-me entre órgãos, tropeças num pulmão, alcanças brônquios desimpedidos, tentas o coração.
Ergues-te perscrutando a alma, mas não a vês.
Sentes-me trôpego, velho e inquieto, numa sonoridade tangível, melodiosa.
Sais-me pelo ouvido esquerdo e sussurras na direcção do tímpano.
Não sabes como fazer. Se me rebuscas de novo, se modificas a preceito, se aceitas como tal.
Mexes a quarta-parte do lábio superior como um Outono ocre. Pétalas dissolvidas em rosa púrpura. Um corpo de tudo ou quase nada.
Envolves-te no meu perfume, fazes do meu corpo assombração, abraços em desordem e o aproximar do peito numa dança vivificante.
Noite de línguas doces, namoradeiras, saloias, sonhos em golfadas como placenta rompida, num prenuncio de desejo.
Curvas-te em mim. Descompões tessituras bordadas ao acaso e aprisionas o meu beijo translúcido na tua boca.
Toques, gestos, medidas em pontos cardeais, metade de um quarto ou tu por inteiro.
Rosto, olhos e mãos.
Tu atirada poros fora, pernas arquitectadas num prenuncio traiçoeiro
Feridas lambidas. Rastilhos e implosão. A minha alma presa nos teus apêndices vários. Mímica dócil no meu silêncio. A tua boca que afaga as curvas da minha orelha em simetria perfeita.
Medos e anseios, epiderme pálida, encontros de sombras, gestos de imaginação fértil.
Sorrisos malandros a destempo.
Paixão confinada a meio canto. Frases meio soturno. Metade pela metade.
O amor arrebatado numa lua de desejo em quarto-minguante, baloiçando suavemente dentro de mim.
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5 comentários:
Intenso! Como tudo na vida deveria ser... Texto fantástico! Parabéns!
Fiquei com a sensação de que este texto foi escrito num repente, muito rápido. Tão rápido que as palavras se atropelavam para sair!
Curto mas indiscutivelmente intenso!
Obrigada,
Tropecei nas estrelas tombadas e agora tenho o céu no meu peito.
A música... Muito a propósito!
O teu poema!...
Como quem não abdica de habitar um sonho indefinido... Até à exaustão absoluta no derramar das palavras.
Um beijo
L.B.
"E surges do nada, como carro em contramão"
É assim que me estou a sentir, em contramão... Nestas curvas da vida!
Continue... Parabéns!
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