29 novembro, 2011

Poções Mágicas e um Sorriso



Chove imenso neste dia e é quase Dezembro.
Estou em pedaços. Incompleto. Esquartejado em meia-lua ou quarto-minguante.

Falta-me fazer magia para completar o círculo da vida. A magia que tu fazias em azul. Os teus olhos em azul.
E eu piso de novo os meus passos numa procura de alma em labirintos inquietos.

O céu é um lençol pejado de estrelas, e o arco-íris, um caminho para lá chegar.
Resta-nos o caminho.

Vivo em combustão entre a saudade e o devir. Arrumo coisas que julgava terem tido o seu lugar.
Volta-não-volta, desarrumo gavetas onde as deixei.

E no entanto, a sombra da voz e o teu sorriso.
O beijo que envolve, a mão que protege, o grito que abafo, o musculo que absorve.
Parágrafos que deslassam emoções, risos inocentes, enxurradas de sílabas a matarem esta saudade que corrói.
Versos que largaste, o abraço que me deixou e um coração com as cores em agonia.
Frases soltas, que não sei como encaixar. Um espaço sobrante… o teu.

Estou entre lugares que não me pertencem, lugares que não conheço, algures entre dois caminhos.
Pedaços que me faltam, vozes em correntes desenfreadas.

E o silêncio da noite. Sempre noite.
A noite e os meus dedos musicais que falam dedilhando.
Dedos que percorrem e revolvem emoções pirateadas

Chove imenso neste dia e é quase Dezembro.

Tenho a idade numa curva mal calculada, um amor que me enrola em mantas de palavras ditas no contorno da boca.

Nós que desato como as dores, uma a uma. Ciclos que não encerrei e sonhos descortinados e repaginados.

Tenho poções mágicas e um sorriso.
Um sorriso dos teus em Dezembro.

04 novembro, 2011

IN MY PLACE...!



Este é o meu lugar. Um lugar novo.
Um espaço fechado de silêncio e paz.

Pedaços de algodão como flocos de neve. Fiapos de luz tecida num candeeiro bifurcado em complexo de teia.
Almas e gentes, diabretes e aflições, tudo na alma. Tudo numa alma.

O teu corpo quente ancorado nos meus lábios, enquanto solfejo palavras perto do ponto final deste texto.
E neste lugar vazio de gente, cheio de mim em ti e de ti em mim, cirandamos descalços pelos trilhos misteriosos da mente.

Os Deuses devem ter enlouquecido e semeiam segredos na voz desavinda das pessoas.
As pessoas enlouqueceram e desafiam os Deuses sem complexo nem voz.

Nos cabelos em cascata dos Anjos, prendemos gestos para esconder a saudade.
As nuvens vistosas repisam desejos e o rio repleto de carisma alonga os seus dedos rodeando os nossos corpos enlaçados e invisíveis.

Sãos os teus sonhos que se fazem.

A lua teima em não se envolver, depositando nas paredes nuas dos prédios a minha sombra.
O eco da fala morde o meu sossego.

O gato mia no silêncio…. É de ouro, … -dizem!....O gato…-ripostam.

O horizonte é frio e húmido. O teu fôlego aconchegado a mim. Um caos a parir nova ordem.

A tua boca que me faz desordem. Fragmentos inconciliáveis nos desenhos que traçamos.
Rosto acostado em rosto, mão em mão, textura quente do corpo a querer acordar sob o signo de outro tempo.

Este é sem duvida o meu lugar. Um lugar novo.
Feito de silêncios, queixumes atirados ao desconcerto.

Desalinho no tempo, bátegas de chuva, nuvens ritmadas a pousarem lençóis de água em mim.
Preciso do sol neste espaço como amor em drageias bebidas no tempo certo.

Feixes de luz musicados, relâmpagos fluorescentes esbatidos até o tempo fechar.
Frutas maduras, castanhas dissecadas, arrulho de pássaros, lágrimas de calor.

Os teus olhos que buscam lugares, mãos em concha, um caminho de sol entre nuvens entupidas.
O teu coração com asas de fogo, a tua voz, a tua boca...

Este é o meu lugar. Um lugar novo.