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A mostrar mensagens de Dezembro, 2011

RELOGIOS DE TODAS AS DEMORAS

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Estalido de fechadura nas minhas costas.
Tu em reticências, um peito de delito a qualquer hora. Pescoço e pernas delgadas como desnorte de náufrago.

Espectro lívido na tua presença. O meu protesto à porta do teu corpo.
Juras de amor sôfregas, promessas e suspiros de devoção. Paixão como semáforo intermitente, beicinhos e choros.

Regresso ao teu corpo diluído, antipartículas, sonho em fragmentos.
Intermitências onde se abriga nocturna a lua pálida e pérfida.

Vês como se aninham parados os relógios de todas as demoras ?

Dá-me medo que a saudade liquidifique, trémulo bambu, beijos melosos percorrendo o caminho sinuoso das tuas costas.

Redime-me. Absolve-me em confissão. Multa-me por engano cósmico, sangra-me a pele, repete-me tresloucada a boca no meu beijo.

Horas, minutos e segundos, que se amontoam na aridez sedenta da pele.
A fonte de todos os males, uma boca de alimento nos frutos dos teus ramos.
Os teus braços.
Braços, sim. Braços de envolver, de embalar meninices e entoar baixin…

Escrutinio do tempo

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A angustia do sentido da vida e o relacionamento com ela,
Defeitos que se afiguram mais nítidos, as insuficiências e os erros.
O caminho da coragem. O sorriso feito coragem.

Caminho apressado para os cinquenta. A idade fica apenas mais nítida e aumenta o encanto.
Nada mais.

E é Dezembro como sempre. Frio, chuvoso, inquietante.
Flores e pétalas avermelhadas, nuvens sujas. Plantas que entortam o muro do quintal.
O gato imóvel

O parvo do gato que quando miava se queixava de mim à minha Mãe...medricas.
- Mariquinhas é o que és.

O tempo embaciado como os óculos do meu tio na ponta do nariz.
Ele, elegante, chapéu aprumado.
- A bênção Tio. – Deus te abençoe, sobrinho.

Livros que não acabam nunca. O cheiro agradável do "after-shave" do meu Pai.
Domingo de nuvens sujas, a tarde triste, um sol escondido sobre o Porto.

Os meus quinze anos. O parvo do gato, ainda imóvel.
As fisgadas nos pássaros, as bochechas rosadas da minha vizinha da frente.
Sombras das árvores no quintal.

Trovoadas e tempestade

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Eu, Tu e as trovoadas. Raios e relâmpagos. Trovões como paquidermes.

A tua Tia carregadinha de cremes, debruçada na varanda.
A minha Avó de bengala. Monogramas nas fronhas que vai cosendo. Fímbrias douradas e azul celeste.

Tu, menina. Tosse rouca que partilhavas num vendaval brônquico qual relâmpago em aguaceiro.

Os dois no entreposto entre as duas portas. Pé aqui, pé ali.
Inocentes de mãos dadas.

Uma reza a Santa Bárbara. O céu iluminado e nós desafiando paquidermes grotescos.

Saltinhos entre quadrados desenhados no chão, voltas e voltas, um beijo na face esquerda, protegida dos olhares certeiros da Tia e o trovão a espreitar.

O frio nas entranhas da casa. Água tépida. Três assoalhadas. Esgares de gente que não conheço em molduras marteladas na parede.

Naperons com argolinhas, afectos em repouso, rugas de mansinho na cara da minha Avó.

Chuva em bátegas na vidraça, o gato fru-fru enrolado nas tuas pernas tentadoras. Eu destemido invasor.

Um tabuleiro de xadrez. Torres derrubadas, cav…