14 maio, 2012

Juro que nem a dormir descanso...



Juro que nem a dormir descanso...

Vivemos sempre em reticências.
Juras de amor não atendidas, paixão latente na esquina da vida enquanto o semáforo muda a cor e eu olho nos teus olhos.

A vida passa a ter mais sentido com os sentidos mais despertos e um renascer que julgava perdido e atirado contra a sétima onda do mar revolto.

Juro que nem a dormir descanso...

Enquanto ancorado no teu pescoço, partículas dispersas por entre os dois.
A tua mão que adora descansar na minha, os cafés perdidos entre embaraços.

Ninguém espera o inesperado, enquanto o coração dispara mais acelerado no momento.
O teu olhar na ausência do meu olhar.

Tenho-te como musica, um excerto de Bach, um poema de Sofia ou um quadro de Paula Rego.
Tens tudo em ti. Elegância e aprumo, aparente solidez em insegurança interior.

Juro que nem a dormir descanso...

Vejo que a lua balança no céu em noite estrelada e eu ainda espero por ti.
Vives na angústia da indiferença, no carinho e no toque que te afastam aos poucos.
Os olhos como reflexo da alma e um coração amargurado.

A noite vem cheia e uma lágrima furtiva no rosto.
Posso ser Rei se quiser, mas prefiro ser plebeu no teu reino.

Atiro barquinhos de papel com mensagens escritas, enquanto gaivotas agitam tempestade.
Ternura de anos passados, acalentados por algo mais forte surgido sem esperar.

Fugi como as folhas do vento, naveguei entre brumas, céus estrelados e confiantes, até as tuas pálpebras caírem nos meus olhos cansados.
Estes olhos que te fazem estremecer e viver após mergulhos tristes na espuma do tempo.

O dia espreguiça-se e nós temos o amor das coisas simples.
O direito a viver coisas simples.

Juro, que nem a dormir descanso...

7 comentários:

PF disse...

Muito, muito bom Zé!

Lídia Borges disse...

"Fugi como as folhas do vento, naveguei entre brumas, céus estrelados e confiantes, até as tuas pálpebras caírem nos meus olhos cansados.
Estes olhos que te fazem estremecer e viver após mergulhos tristes na espuma do tempo."

São tão raros os olhos capazes de as ver as coisas simples. Talvez só mesmo os poetas.
Os teus textos são sempre um modo lindo de ver/dizer as coisas simples.

Um beijo

Eloah disse...

Lindo texto! Buscar a felicidade nas coisas simples, com certeza, faz a vida a ter mais sentido.
Fizeste das palavras sentimentos.Escrevestes lindamente esta linda prece de amor.Amei!
Forte abraço Eloah

Ana disse...

Um texto que fale de paixão, sedução, ondas, marés, mergulhos e o amor das coisas simples já tem todos os “ingredientes” para ser um bom texto…Tu consegues o mais difícil, harmonizar com sentimentos e ternura esses “ingredientes”!
“Ninguém espera o inesperado, enquanto o coração dispara mais acelerado no momento.”
Muito bom! Lindo este Texto.

patricia viegas disse...

Este meu TIO é Fabuloso até me arrepio ...bjinhos Gigantes

Anónimo disse...

adorei!parabens Pedro
bjs da Teresa

Patrícia Costa disse...

gostei... muito!!...
beijo