07 maio, 2012

Perdição...



Cirando por aí em obsessões de alma moribunda, socalcos de feridas abertas, palavras mal colocadas na minha voz desarmada.
Músculos retidos e sentimentos agrafados em folhas lisas coloridas.

Adormeço a destempo. Está gelada a noite...

Braços inquietos, frases sem sentido, o comboio na estação em chiadeira estridente.
Salpicos de chuva ritmada com os segundos do relógio.

Aridez noturna. A falta. Suspiros de delito nas tuas reticências.

A tua na minha mão em afagos. A pele que inebria e o teu cheiro que entontece.
O amanhã em combustão. Prendes-me em gestos de saudade.

Volúpia de enganos. Sombras que ameaçam a minha luta interior.
Lábios como ancoradouros de alma na tua entrega.
Teu peito como doente em rota final.

Arrumo-me em pedaços incertos, espaços sobrantes, enxurradas de silabas por dizer.
Abraços de supetão, rastilhos de lábios, o despertar do teu corpo.
Desfibrilhar de coração com choques telegráficos.

Ribeira alagada de marés, remendos interiores dissipados, a comunhão das margens nos despojos do teu sorriso.
A luz sofrida do candeeiro na marginal. Eufemismos atirados ao rio.

Deuses que acompanham danças de lua.Guião que escreveste mentalmente,.
A minha solidão na boca do rio em céu de Maio. A minha perdição...

A hora do silêncio no meu recolhimento. Cadências paulatinas na voz.
 Luzes em bolandas.
Manhã e aurora. Muralha de pedras mudas.
Alquimia de segredos que revelas
A tua boca próxima do beijo.
Está gelada a noite...

2 comentários:

Anónimo disse...

"Está gelada a noite"!
Mas contemplo a lua e nela revejo a minha "perdição"...

Lindo!!!

Lídia Borges disse...

De pedra em pedra na travessia de um leito-saudade, ausência, solidão... De pedra em pedra até à margem libertadora - "Perdição"

Beijo meu