08 setembro, 2013

MOMENTO






Abres o corpo em pétalas de lágrimas, cor de bronze e cheiro doce de memórias invisíveis e palavras por dizer.

Derramas suspiros pelo peito em alvoradas firmes de existência.


Abro janelas, recorto portas e vidraças e rasgo-me no arame farpado do meu interior.

Dilato-me enquanto te escrevo postal de arco-íris perfeito, com pó das amêndoas e figos por descascar.

Figuras esquálidas como fantasmas que nos habitam num  sorriso dente-sim,  dente-não.
São assomos de coragem, flor de anseio vertical num poema que demora.

Suspendo o tempo, esvazio as palavras e adorno a língua que se abre ao sol, e espremo a prece na paz dos teus braços e no aconchego dos teus olhos.

Palavras que envelhecem comigo como a tua luz e o meu Anjo que a guia.

Não há pontes nem atalhos, linhas rectas ou circulares na dádiva das tuas mãos, nem passos nos teus dedos que me cruzam caminhos, em frases e frases dilacerantes, enquanto me reduzo ao silêncio de um hálito quente.

Holograma colorido, riso fácil, dedos empertigados e finos, mesclada entre o dever e o divino, monólogos ensaiados no turbilhão do tempo.

Resgatado dos becos despovoados, dos labirintos onde a angustia e a morte perdura, dos caudais crescentes na tua alma.

Este é o teu corpo de bronze, a vida que escorre por nós,  o tempo incerto na voragem dos tempos, o gesto da mão dormente.


Este é o momento.

1 comentário:

Lídia Borges disse...


O poema tarda!?

Está aqui. Dedilha asas de borboleta e pétalas caídas, chuva dispersas sobre a consistência das palavras.

Eu vigio-as para que não me traiam, mas acabo traída precisamente porque as vigio.
A mim, sim, falta-me o Poema.

Beijo