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A mostrar mensagens de 2014

EXISTISTE ANTES DE EXISTIR

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Exististe antes de existir, e vives fragmentada entre imagens, estilhaços de armas sem sentido, colorações de vidas passadas, espelhos oblíquos, noites sem dormir, na penumbra do sono.
Palavras, ruídos, rostos indecifráveis. Fantasmas que te habitam permanentemente, as águas do tejo sem barcaças, espelho de água por entre pontes.
Loucura que enche a escuridão de súbitos alertas e densas preocupações.
Segues a luz do farol, nos barcos e nas amarras do Tejo, num horizonte de brisa ondulante, o fio do horizonte que teimosamente fazes por observar.
Cor ígnea das paixões, soturnos lugares com sabor a sal. Aspereza nas palavras e nas mãos  que te conduzem .
Vais e voltas.
Procuras o calor das almas, dos espíritos que vagueiam, de laços que te apertam, que enrolam, que se enlaçam nos próprios nós , enquanto longos braços de penas esvoaçam, transportando-te por entre espaços desabitados, redobrando manto protector que te habita.
Verdades de actos concretos ou imaginados deste momento que…
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Votos sinceros de um Feliz Natal

Obrigado pelo tempo que têm partilhado comigo e os meus escritos.
Pelo apoio, pelas mensagens de incentivo.
Por vos saber aí!

Próspero 2015

A NOITE É INFINDÁVEL SE NÃO A DORMIMOS...

A noite é infindável se não a dormimos.
Horas num vazio de incerteza. Sombras de fantasmas que cirandam em roda de mim. Era sempre assim que acontecia…
Passos lentos e ritmados. Alguns pesados e ocos. Cruzamento de pernas, trocas de olhares, sobranceria intimidante.
Ele frio, eu encolhido em mim mesmo, este sonho que me arrefece e me faz capicua.
A noite é infindável se não a dormimos. Os pés encolhem do frio, e nas pernas, cócegas agitadas nos músculos inquietos.
As cortinas vagueiam soltas pelo ar, a televisão debita resultados de vendas, ruídos que colocam os sentidos à deriva. Perco-me nas palavras que leio, nas que adivinho obtusas, nas palavras cinzentas como chuva,  no empedrado granítico.
Eram setembros perfilados com sol e outonos que se adivinhavam pelo cheiro.
Encontrava-me nas tuas mudanças de humor, o calor do teu corpo que derrete alcatrão, as tuas torradas cortadas pelos cantos, a curva estreita dos teus ombros e o sorriso. Sim, o sorriso.
O teu vestido curto travado, …

Através de uma lâmpada...

Eu não te disse que era hoje, ontem ou amanhã... nem que o tempo da colheita terminou ou que a chuva parava de me arreliar.
Nunca pensei atrasar o tempo nem parar o coração para não disparar ou escapulir tenebroso. Jamais te abriria a alma como ventre nem semeava o terreno fértil da tua memória.
No entanto o rio corre entre as árvores, giestas estendem-se a céu aberto cobrindo a mancha urbana da cidade. Temos jardins de buxos, magnólias cor-de-rosa vento gelado e chuva pelo empedrado granítico. O Porto como só o Porto.
O mundo dormia, ou parte dele, e eu estava no silêncio da cidade rouca de cansaço, gente na ribeira acocorada entre vielas, os guindais em sobressalto, tascas com gente dentro. Nunca totalmente adormecida. 
Aos poucos, alguns transeuntes deambulam saindo dos fundos das ruas convergindo em várias direcções. Uns nos transportes, outros no granítico da baixa, outros ainda no “cimbalino” para começarem o dia.
 Bátegas de chuva na vidraça como se chorasse. Edifícios desbota…

NOTAS DE UMA NOTA SÓ

Tenho notas de uma nota só. Anjos que se erguem do sonho, outros de asas erguidas na direcção do céu.
Mascaras adormecidas nas nossas vidas. Flores no parapeito de dias claros de sol, prédios cortados a meio com jardins dentro.
Acabou o inverno como tantos outros, primaveras umas atrás das outras. Dias redondos em horas suaves. Lua em quarto crescente, peixinho de aquário, boca aberta na busca do ar que nos escapa.
Asas de anjo em manto branco. Um todo sem partes e uma metade sem a outra metade de mim.
O sonho que mantenho. A tua chegada na minha partida, cabelo de ouro, olhos de amêndoa doce, o prazer no silêncio. O instante.
Momentos em que te contorno lábios, nariz, o lóbulo da tua orelha geometricamente trabalhada. Olhos não. Não quero que me vejas nesta pele rasgada de aguarelas.
A tua distância afectiva, abraços, poucos, alguns risos, a tua ausência que me escorrega pelos braços, pingando suave.
Candeeiros em ritmos burlescos, luz que atropela viajantes, sombras que fogem …

OS FILHOS

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OS FILHOS
Lembro ainda hoje, como ontem, como se o sol batesse na cara e se espalhasse pelo corpo aqueles pezinhos pequeninos saltitando pelo chão, atirando-se para o meio do aconchego, entre pai e mãe, entre o amor divino e eterno, na proteção do tempo e do espaço.
Nos dias de cansaço invernoso onde as maçãs não são mais maçãs e onde o vento me corta em dois e a chuva canta desprovida de sentimentos, como o coaxar das rãs – porque sim.
Sei das vossas mãos pequeninas que me tentam alcançar como se a um porto ancorassem, do meu sono desperto, entre um livro e o vosso respirar, entre as febres que vos afligem, os dentes a romper, e os meus braços num amparo, o aconchego doce da mãe, a vossa estrela cintilante.
Eram vossas as madrugadas televisivas, no despertar do “Dumbo” e outros que o tempo me fez esquecer, e juro-vos que aquele é que era o Mundo, o Mundo onde o tempo para, e descobrimos que de repente é o Sol que vem para nos abrigar.
E vamos aqui e ali juntando letrinhas para fazer um novelo …

FICO FELIZ NO TEU SORRISO

Fico feliz no teu sorriso Nunca sei se te volto a ver, e sofro. Palavras, silêncios, um sabor amargo e a noite a entrar livre pelas janelas. A mansarda onde encolho pranto. 
E nunca sei se é tarde, muito ou pouco, nefasto e inquieto, cheio ou vazio, mas sei que perdeste o momento, o instante em que nos abrimos, em que nos fechamos. Actores de nós, mímico sem palco.
Uns dois a três passos, um volteio. Passos de bailarina em contraponto de ti. O céu, tão sombra e luz, e nós.
Sinto o embaraço da palavra, ruas de sentido único, a inexatidão do momento, o candeeiro que se apaga na passagem, como um cumprimento. Sete partidas, sete colinas de luz, margens do rio, palavras e gestos flutuantes, e não sei se te volto a ver.
Os meus rebordos labirínticos em ti e o mar na imensidão da alma. O teu rosto de boneca imperfeita, sorriso (mesmo que no silêncio) contagioso.
Fico feliz no teu sorriso.
Trazes a angústia e o peso do corpo que não dorme. Mantenho-me suspenso e reaprendo a viver por dentro…