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A mostrar mensagens de Maio, 2015

O DIA SEM ONTEM

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O dia sem ontem
Este foi um dia sem ontem. Um salto no calendário leproso, em farripas, torcido e gasto. Uma bruma escura que se confunde com o céu. Alma bebida pela subtileza do demónio na margem sombria da esperança.
Gente que filtra gente, amparos na turbulência do douro, a volatilidade em segundos, calendário adulterado, gotículas de chuva, rascunhos de céu. 


Sente-se o cheiro a hortelã enquanto batem o trunfo de copas e na bagagem do velho alentejano, meio litro de abafadinho a tiracolo, como se fizesse parte dele, tamanha a cumplicidade.


O Porto é uma nudez sonâmbula, cortada por ambulâncias troteantes e bares acotovelados em ruas estreitas de bairros esventrados.
Ruas com amoreiras. Espinhos espetados nos dedos. 
Na rua dos poveiros, travestis com colares de missangas e bamboleio de ancas encostam-se às portas entreabertas, e damas de “écharpe” e casacos de pele, coquetes obtusas, vagueiam trepidantes.
Passos Manuel junto ao Coliseu é já ali.
Funcionários varrem beatas do chão, estas, va…